domingo, 22 de janeiro de 2017

Orcas! Orcas! Orcas no Brasil!!!

Quando postei dias atrás sobre as primeiras Orcas de 2017 vistas na Nova Zelândia, imediatamente me veio à mente quando postaria que elas tivessem nos dado a honra da visita pela primeira vez este ano. E para minha alegria isso ocorreu bem antes que eu esperava. E foi na Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina, ontem.
De acordo com velejadores que as viram, eram provavelmente oito delas. Mas três, que pareciam mais jovens, aproximaram-se mais das embarcações. Apesar de dizerem que costumam vê-las todos os anos, à princípio tiveram dúvidas se eram mesmo Orcas, porém, como o mar estava claro, cristalino, o chamado "mar azul", foi fácil confirmar, especialmente ao exibirem suas famosas manchas brancas acima dos olhos. Ainda segundo eles, um cardume de arraias tinha passado pelo local um pouco antes, indicando que elas poderiam estar caçando. Um dos velejadores fez os preciosos registros abaixo para nos encher de alegria:

Imagens de Adrien Caradec

Há mais relatos de Orcas vistas aqui no Brasil desde a criação do blog. Faça uma busca ao lado para ler sobre os demais casos.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Orcas são vistas na NZ pela primeira vez no ano

Que tal um pouco de notícia boa?
Estamos precisando, não?
Então vamos lá:

* * * * *


Foi com imensa alegria que turistas tiveram o primeiro encontro com Orcas do ano, no último dia 10, na Nova Zelândia. O pod era comporto de dez Orcas sendo um macho bem grande, outro com a barbatana dorsal deformada, quatro fêmeas, duas jovens e dois filhotes de aproximadamente 2 anos de idade. A barbatana dorsal provê estabilidade nos movimentos, mas a Orca com a deformidade parecia não se afetar. Os filhotes, segundo Julian Yates, Capitão da embarcação, aproximaram-se curiosos do barco parecendo que queriam subir nele. Observaram cada detalhe... viraram para cima, para baixo, verificaram as hélices, o casco, etc.
De fato, devo observar que, Orcas neozelandesas possuem comportamento muito peculiar comparado a outras populações que já observei, pois são extremamente curiosas e até atrevidas, sempre se aproximam de barcos, caiaques, pranchas, adoram interagir, se exibir e investigar o que tiver pela frente. É fácil identificá-las por este tipo de comportamento, é só observarem outras postagens aqui do blog. Dão sempre um show!
Fizeram um outro passeio naquele mesmo dia e apesar do pod já ter se deslocado, lá estavam os filhotes novamente atrás do barco observando as pessoas.




No vídeo abaixo é possível ver parte do encontro, porém, neste link, há um vídeo mais completo que mostra o momento em que os filhotes curiosos vêm observar o barco: https://www.tvnz.co.nz/one-news/new-zealand/looks-like-wants-climb-board-extraordinary-orca-encounter-sees-pod-investigate-boat-in-akaroa-harbour



Existem apenas de 150 a 200 Orcas habitando as águas neozelandesas. Apesar de elas serem protegidas na região, é triste pensar que são tão poucas.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Orca morreu por infecção generalizada na Escócia

Atualização sobre a Orca encontrada morta a semana passada na Escócia:
Depois de conseguiram, com a ajuda de moradores locais e voluntários, efetuar o transporte do corpo, uma equipe especializada realizou a necropsia. Em comunicado em sua página no Instagram informaram que a Orca estava com bom estado físico, não havia comido recentemente, possuindo apenas resquícios de pelo, provavelmente de focas em seu estômago. Como demoraram para a encontrarem, infelizmente o estágio de decomposição era avançado, dificultando análises mais detalhadas, no entanto, foi possível identificar que ela estava com uma infecção abdominal generalizada que afetou estômago, rins, fígado e intestinos. Como ela tinha boas condições físicas, acreditam que foi uma infecção aguda e devido a manchas nos pulmões é possível que ela tenha encalhado. Além disso, mesmo com o útero já muito danificado pelo tempo de óbito, foi possível indicar que ela esteve grávida um pouco antes, mas provavelmente perdeu o bebê antes de encalhar.
Não há indícios de que a morte tenha ocorrido por alguma ação humana direta como trauma ou por ter ficado presa em algo.
Ainda farão exames bacteriológicos, histopatológicos, histórico de vida e contaminantes. Qualquer novidade, divulgo aqui no blog ou pelo Twitter.
A imagem foi divulgada pela equipe de pesquisa que realizou a necropsia em sua página no Instagram, Stranding Research, caso alguém queira acompanhar.






terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Orca aparece morta em praia escocesa

Exames serão conduzidos esta semana numa Orca encontrada morta quinta-feira, dia 12 de janeiro, na praia de Linga, em Shetland, na Escócia. Pesquisadores locais estão ansiosos para descobrir a causa da morte e verificar se ela já é catalogada e monitorada.
Até o momento informaram apenas que se trata de uma fêmea adulta de pouco mais de cinco metros de comprimento.
Imagem de Cy Sullivan
A Orca foi encontrada um ano após Lulu, Orca residente local também ter sido encontrada morta no dia 03 de janeiro de 2016.
Sabe-se que, atualmente, apenas oito Orcas (três fêmeas e cinco machos) compõem o pod residente das águas britânicas e este não teve nenhum filhote desde que começou a ser monitorado em meados de 1980. Biólogos culpam a poluição como causadora dos altos índices de mortalidade e afirmam que elas enfrentam iminente extinção. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Austrália condena caça de baleias do Japão no Oceano Antártico

O governo da Austrália condenou nesta segunda-feira (data local) o Japão por retomar a caça de baleias em águas antárticas, após a divulgação de imagens de um cetáceo morto a bordo de um navio japonês que se encontrava em águas protegidas.
O ministro de Meio ambiente, Josh Frydenberg, mostrou sua "profunda decepção" um dia depois que a organização Sea Shepherd divulgou fotografias e vídeos de uma baleia minke no convés do navio japonês Nisshin Maru.
As imagens foram feitas enquanto o baleeiro navegava dentro do santuário australiano de baleias, perto da Antártida.
"A Austrália se opõe a toda forma de caça de baleia comercial e a chamada 'científica'", disse Frydenberg, em comunicado.
A Sea Shepherd fez a denúncia depois que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se reuniu no sábado em Sydney com seu colega australiano, Malcolm Turnbull, para falar de segurança regional, cooperação militar e comércio, assim como sobre o espinhoso tema da caça de baleias, entre outros assuntos.
O Japão reiniciou em novembro a temporada de pesca de baleias "com fins científicos" em águas antárticas, sua segunda incursão na região para estas atividades, após o recesso de dois anos que seguiu a uma sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Em 2014, a CIJ, em resposta a uma reivindicação australiana, opinou que a pesca baleeira do Japão não se ajustava aos fins científicos estabelecidos pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), após o que Tóquio paralisou temporariamente seu programa na Antártida.
Até sua proibição por parte do Tribunal internacional, nas campanhas baleeiras do Japão eram capturados 850 exemplares de minke, 50 de baleia jubarte e outros 50 de rorqual* comum para fins científicos.



Fonte: Terra de 15 de janeiro de 2017.


Rorqual, baleia-de-bossa ou balenopterídeo é a designação comum dada aos cetáceos da família Balaenopteridae, o maior taxon do grupo das Mysticeti ou baleias-de-barbas, incluindo nove espécies repartidas por dois gêneros. A designação rorqual deriva do norueguês e significa baleia com pregas. Todos os membros desta família tem um conjunto de pregas na pele que se iniciam na parte inferior da boca e se estendem até ao umbigo (excepto a baleia-sei ou rorqual-sardinheira que as tem mais curtas).




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Mensagem de David Kirby sobre a morte de Tilikum

David Kirby, autor do livro "Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity", que foi inspirado na morte da treinadora Dawn Brancheau, escreveu uma mensagem pela morte do Tilikum em sua página no Facebook. Pedi permissão para traduzí-la e compartilhá-la aqui com vocês e ele gentilmente me autorizou. Segue:




Descanse em paz, Tilikum.















Por David Kirby

"Jamais esquecerei a tarde em que Tilikum, a grande e temida Orca que morreu na última  sexta-feira, matou sua treinadora Dawn Brancheau no SeaWorld de Orlando, bem como jamais imaginei que isso marcaria o início do fim da indústria de Orcas em cativeiro nos EUA. 
Naquele 24 de fevereiro de 2010, eu estava trabalhando em casa quando a CNN passou a chamar minha atenção logo atrás. Eu fiquei atordoado quando levantei a cabeça para ver o que havia ocorrido. Passaram o resto do dia exibindo imagens da Orca gigantesca flutuando apática próxima ao corpo coberto de sua treinadora no canto da tela.
Senti-me péssimo pela Dawn, sua família e colegas de trabalho, mas não senti pena do Tilikum... Algo que ia mudar em breve!
Aquele incidente atormentador me inspirou a escrever “Death at SeaWorld: Shamu and the Dark Side of Killer Whales in Captivity” (Morte no SeaWorld: Shamu e o lado Obscuro das Orcas em Cativeiro) e o que acabei descobrindo, com isso, foi estarrecedor:
Orcas são animais extremamente inteligentes e sociais, percorrem diariamente mais de 150 km na natureza; mas, segundo cientistas, em locais como o SeaWorld, o estresse do confinamento resulta em agressividade, baixa imunológica e infecções mortais. Elas destroem os próprios dentes mordendo comportas de metal e por isso têm a polpa dentária removida com brocas, as barbatanas dorsais dos machos adultos colapsam e se desfiguram de forma grotesca, além de acabarem morrendo ainda bem jovens.
Tilikum virou rapidamente a figura central da minha narrativa. Dediquei um capítulo do livro à sua captura na Islândia, quando ele foi arrancado de perto da mãe com apenas dois anos; escrevi sobre sua transferência ao parque Sealand of the Pacific, em Victoria, no Canadá, onde ele ficava preso numa piscina com duas fêmeas dominantes que o atacavam impiedosamente e permanecia numa caixa de metal apertado durante a noite.
Em 1991, talvez por conta da frustração ou do profundo tédio que vivenciava, agarrou o pé da treinadora Keltie Byrne e a puxou para dentro da água, impedindo juntamente às outras Orcas que ela saísse da água, até que se afogasse. O Sealand decidiu então deixar de trabalhar com Orcas em cativeiro.
Mas quem iria comprar um animal tão perigoso?
O SeaWorld rapidamente fez uma oferta, transferiu Tilikum para Orlando onde era frequentemente mantido em isolamento e proibiu que treinadores entrassem na água com ele, sem especificar o porquê. 
Oito anos depois, um sem-teto, chamado Daniel Dukes, entrou no tanque de Tilikum depois que o parque havia fechado e foi encontrado morto na manhã seguinte, em cima de suas costas. Mesmo não constando na necropsia, o parque declarou que a morte foi causada por hipotermia, apesar de o corpo apresentar arranhões e hematomas provocados antes e depois do óbito.
Mas foi a morte brutal de sua terceira vítima, a Dawn Brancheau, que virou manchete no mundo todo.
Nada seria como antes para o SeaWorld e sua brilhante reputação que conquistava tantas famílias.
Desde aquele dia terrível, o parque tem sofrido uma avalanche de críticas da qual, mesmo sendo um gigante do entretenimento, pode jamais se recuperar. Essa avalanche foi iniciada com a publicação do meu livro em 2012 e o lançamento do poderoso documentário, capaz de mudar o curso da indústria: o documentário Blackfish.
O público do parque caiu, bem como suas ações; uma série de artistas renomados cancelaram apresentações em Orlando, parceiros comerciais cortaram laços e seu Presidente foi demitido.
O SeaWorld finalmente captou a mensagem: Orcas não devem ser usadas para entretenimento, ponto!
Em março de 2016, a empresa anunciou o fim de seu programa de reprodução em cativeiro, fazendo desta a última geração de Orcas cativas nos Estados Unidos, além de ter se comprometido em encerrar seu icônico show da Shamu em troca de exibições mais naturais e educativas. E, apropriadamente, o último show de Orcas no SeaWorld de San Diego ocorrerá neste domingo*.
Nós jamais saberemos por que Tilikum agarrou e puxou uma treinadora tão amada para seu tanque. Mas se tem algo positivo que pode surgir deste aterrador evento é a oposição crescente à manutenção de mamíferos marinhos em cativeiro em todo o mundo.
Tilikum se foi, mas seu legado perdura. Ainda sinto pelas pessoas que ele tirou a vida, mas também sinto demais por esta criatura sensível e majestosa, que merecia mais do que lhe foi dado. Estou grato por seu sofrimento ter chegado ao fim."







* O último show tradicional de Orcas no SeaWorld de San Diego ocorreu de fato no último domingo (08 de janeiro), antes da publicação da mensagem, no entanto, mantive o texto original.





sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Tilikum está livre

Primeiro um grito de susto com a notícia, depois uma forte respiração e o acalmar do coração...

Meus queridos leitores, Tilikum finalmente está livre!
Ele que transformou a consciência de milhões de pessoas em todo o mundo, ele que desestabilizou uma indústria bilionária, ele que mudou para sempre o futuro das Orcas em cativeiro... Tilikum partiu, mas deixou um legado como nenhuma outra. Ele lutou, ele gritou, ele fez com que nós humanos ignorantes finalmente as ouvíssemos. 
Tiraram dele a liberdade e tudo que lhe pudesse ser realmente importante... Foram longos anos de sofrimento... Quem acompanha o blog sabe bem disso... O resultado desta história terrível de vida em cativeiro pode não ter sido o que achamos que ele merecia, especialmente depois de ter gerado tanto lucro a seus detentores, mas sem dúvida ele deixou uma marca que jamais será esquecida e por isso podemos ser gratos.


Tilikum querido, siga em paz com a certeza de que você foi ouvido e que sua força será sempre lembrada, pois sua história chegará até as próximas gerações que olharão para trás e pensarão, quando nenhuma outra Orca ainda estiver em cativeiro: "Que tempos bárbaros foram aqueles, não?".
Sua força e beleza encheram nossos olhos e corações... Saiba que os que o amam de verdade hoje não choram, mas se sentem profundamente aliviados!

Sua liberdade finalmente chegou...
Seu sofrimento acabou...



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Triste notícia para o começo de ano: Granny se foi

Dentre todas as notícias que eu gostaria de dar sobre as Orcas Residentes do Sul esta certamente seria a última delas, especialmente como a primeira notícia do ano, mas não há como fugir. É com imensa tristeza que compartilho com vocês a morte da matriarca do Pod J, J-2, a famosa Granny. Ela que tinha a idade estimada de 105 anos não foi mais vista desde outubro e, portanto, considerada morta, pois há décadas era observada diariamente durante o verão norte americano liderando seu pod. No site do Center for Whale Research, Kenneth Balcomb, Diretor Executivo, escreveu:

“Eu a vi pela última vez no dia 12 de outubro quando
ela seguia em direção ao Norte no Estreito de Haro
bem à frente das demais. Talvez outros observadores
de baleias a tenham visto desde então, mas chegado
o fim do ano ela estava oficialmente desaparecida
da população das Orcas Residentes do Sul,
e com pesar agora a consideramos morta.”


Sem mais palavras...

Deixo só um dos registros que fiz de Granny em 2011...