quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Governo norueguês mantém proibição de exploração e protege população de Orcas

Para tentar compensar um pouquinho a triste notícia de ontem sobre o destino da Orca Lolita, venho hoje compartilhar uma importante decisão que ajuda a proteger uma incrível população de Orcas selvagens: as Orcas da Noruega.
Graças à pressão feita pelo SeaLegacy e à preocupação coletiva da população, o governo norueguês concordou em continuar impedindo a exploração de petróleo e gás natural na região de Lofoten. Lofoten é um arquipélago e um distrito do condado de Nordland e é lar de incríveis pods de Orcas, além de uma rica vida marinha.
Em declaração pelo Instagram, o fotógrafo e ativista, Paul Nicklen, que também é fundador do Sea Legacy, disse estar orgulhoso do papel da entidade, pois juntos lançaram uma campanha massiva convocando a população norueguesa, bem como cidadãos do mundo todo, a se oporem à exploração demonstrando isso aos políticos. Com 8,5 milhões de visualizações do vídeo da campanha e mais de oito mil mensagens pelo Twitter logo após seu lançamento, a mídia norueguesa deu atenção e a Primeira Ministra, Erna Solberg, ouviu.
Ainda de acordo com o Paul, eles continuarão pressionando o governo para manter a decisão, indo atrás de apoiadores, conscientizando a população e arrecadando fundos junto àqueles que podem colaborar – tudo em nome da conservação! Ele então repetiu a hashtag da campanha #turningthetide (que pode ser traduzida como “mudando a maré”), convidando todos a participarem desse movimento pelo nosso belo oceano. Ele acredita que com o poder das histórias que são passadas e por campanhas sociais progressivas através da mídia é possível mudar o mundo.
Assista ao vídeo da campanha e conheça melhor o trabalho de Sea Legacy através do site https://www.sealegacy.org/ e da página no Facebook https://www.facebook.com/sealegacy/
A linda foto abaixo foi a compartilhada pelo próprio Paul Nicklen na declaração do Instagram:







terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Decisão judicial mantém a Orca Lolita em cativeiro

Uma pena esta ter que ser a primeira postagem do ano, mas infelizmente a notícia tem que ser dada. Mais uma vez a batalha contra o cativeiro de uma Orca tão amada é perdida.
Na última sexta-feira, um tribunal de apelação de Miami rejeitou o pedido do PETA - People for the Ethical Treatment of Animals para soltura da Orca Lolita que vive há quase meio século aprisionada. Por 3 votos a 0, alegaram que a conclusão de que as condições do cativeiro da Lolita representam uma ameaça de sérios danos à ela não se sustenta. A decisão apenas confirmou o que já havia sido definido anteriormente ao recurso, cujo processo se estende desde julho de 2015, dois meses depois que o National Marine Fisheries Service classificou a família de Orcas a qual Lolita pertence como espécie ameaçada de extinção (conforme já publicado no blog anos atrás).
O PETA disse que poderá entrar com novo recurso já que a decisão ignora o atual sentimento público referente ao sofrimento de Orcas mantidas em cativeiro. "Esta decisão sentencia esta Orca altamente inteligente, extremamente solitária e sofrida a uma vida de danos físicos e psicológicos, confinada a uma minúscula área de concreto sem família, amigos ou liberdade", disse Jared Goodman, Diretor de Direito Animal do PETA.
Os críticos levantaram 13 objeções ao seu cativeiro, incluindo o pequeno tamanho do tanque, a falta de companhia de outra Orca desde a morte há 38 anos do Hugo, o estresse e as lesões causadas pelos golfinhos com quem ela mora atualmente e o tratamento inadequado por parte do pessoal da Seaquarium.
Um ponto importante (e pouco divulgado) sobre esta triste decisão é que o Tribunal acredita que aceitando este conceito “expansivo” sobre o que seria considerado danos ao animal em questão poderia afetar a regulamentação que garante o tratamento humanizado de animais de cativeiro usados para exibição e pesquisa. Ou seja, é possível concluirmos que uma decisão pela soltura poderia abrir precedentes para muitos processos envolvendo outros animais, o que provavelmente não agradaria muitos e geraria diversas polêmicas. 
Lolita, capturada em 1970, tem cerca de 6 metros de comprimento e pesa cerca 3,5 toneladas e tem sido uma das principais atrações do parque.
O Seaquarium não comentou a decisão.


A triste notícia e que nos faz diminuir cada vez mais as esperanças para que Orcas como a Lolita possam viver tranquilas em santuários veio após nove dias que Bob Barker, ex-apresentador do programa “The Price Is Right” e defensor dos direitos dos animais, pediu a liberdade da Lolita em um vídeo publicado pelo PETA no Twitter.
Lolita, como já mostrado aqui no blog nunca se esqueceu de sua família. Um vídeo mostra sua reação após décadas de cativeiro reagindo aos sons emitidos por Orcas de seu pod. É de arrepiar. Acredito que se os juízes que definiram seu futuro tivessem assistido a tais imagens talvez tivessem tomado outra decisão. 


P.S. para novos leitores: Apesar de ser contra cativeiros de Orcas, o blog não defende que elas sejam simplesmente “soltas” no mar, mas que, quando possível (considerando dezenas de fatores como saúde, habilidades, espécie, local, comunicação, etc.), e desde que respeitando uma série de pré-requisitos estabelecidos pelos maiores especialistas do mundo na área, elas possam ser adaptadas para uma vida em santuários construídos em enseadas. E, nos casos em que fosse possível, reabilitadas para soltura junto a seus familiares.
P.S.: Há muito sobre a Lolita aqui no blog. Faça uma busca no campo ao lado e saiba mais!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Alunos constroem baleia de 6 metros para alertar sobre o lixo nos oceanos

É chegado o fim do ano, e com ele milhões de pessoas se deslocam para o litoral para curtir as férias e o verão. Ao longo do dia, e muitas vezes da noite, em especial na famosa noite da virada, pessoas se aglomeram, teoricamente para aproveitar e relaxar mais próximo à natureza, aos montes e, com isso, muito, mas muito lixo mesmo é descartado nas praias. Algumas até possuem sistema de coleta, mas estejam certos que a grande maioria não... E onde todo esse lixo vai parar? No oceano, claro. E quem sofre com isso? À princípio, os animais, claro. Mas e em seguida? Nós humanos causadores de tudo isso, afinal nos alimentamos desses mesmos animais que estamos intoxicando diariamente. São canudos, garrafas, sacolas, latas, copos e pedaços de plástico de todo o tipo... E a natureza sufoca e grita. Às vezes tento acreditar que as pessoas estão cada vez mais conscientes, mas em seguida me deparo com tanta sujeira que volto a desacreditar.
Tenho poucos seguidores no meu blog, mas mesmo sendo poucos acredito na diferença que alguns podem fazer ao dar exemplo. Se o que tanto amamos é uma das criaturas mais fantásticas que habita o oceano, cuidemos dele para que elas possam prosperar.
Atenção ao descarte do lixo, evite usar canudos, jamais deixe lixo na praia, e mesmo que a barraca do seu lado esteja deixando, recolha também. Dê o exemplo, peça para seus amigos e familiares fazerem o mesmo. Um único pedaço pequeno de plástico pode matar, portanto, mesmo um mísero pedaço faz sim a diferença!
Não só curta, mas cuide sempre da natureza e do nosso belo oceano,
fonte de toda a vida! E boas férias!

* * * * *



Aproximadamente um terço de todo o lixo doméstico é composto por embalagens em todo o mundo, sendo 80% delas, descartadas após uma única utilização. Como nem todas são encaminhadas para os processos corretos de reciclagem, as sobras desse volume ajudam a sobrecarregar aterros, lixões e outros ambientes na natureza.
Nos últimos anos  tem-se observado um aumento significativo de lixo nos oceanos, despejados por navios, empresas, plataformas petrolíferas e pelos próprios continentes. Somente no Oceano Pacífico, recentemente foram descobertas verdadeiras ilhas e redutos de lixo formados por algo em torno de 100 milhões de toneladas de resíduos sólidos levados pelas correntes marítimas.
São, em sua maioria, embalagens e sacolas plásticas que impactam diretamente o meio ambiente e a saúde dos mares, ao provocar a morte de milhões de peixes, aves e mamíferos marinhos, anualmente.
Somente no Brasil, 25 mil toneladas de embalagens são descartadas todos os dias. Esse é um problema de interesse  e preocupação mundial, que deve reunir autoridades e entidades globais, acadêmicos, pesquisadores, empresários, organizações não governamentais, ativistas e a sociedade civil, como um todo, para discutir maneiras eficazes para a redução dos impactos e a formação de novas culturas e tecnologias de uso, produção e descarte de embalagens, sacolas plásticas e outros materiais  não biodegradáveis.



Diante dessa temática, os coletivos Humana Mente e R.E.A.J.A (Reflexão, Equilíbrio e Ação Junto ao Ambiente) formados por alunos e educadores do Colégio Rio Branco e do Centro de Educação para Surdos Rio Branco, Unidade Granja Vianna, que se encontram semanalmente para discutir temas importantes e globais da atualidade, se uniram após observar a quantidade de materiais e copos descartáveis jogados fora todos os dias, não só na instituição, como na comunidade e no dia a dia doméstico e das cidades.
Após muito diálogo e reflexões em grupo, iniciou-se uma campanha que uniu os alunos de toda a escola, com o apoio das equipes de limpeza e manutenção,  para a construção de um grande projeto de conscientização em forma de arte: uma baleia com cerca de 6 metros de comprimento, confeccionada por meio da coleta de 4 mil copos plásticos.
Ao lado da baleia, encontra-se  o número 2050 – ano que haverá mais plástico do que peixes nos oceanos, se a humanidade continuar seguindo os mesmos padrões de consumo e descarte de materiais nocivos à natureza, de acordo com pesquisas realizadas pelos estudantes. (...)


A escultura, chamou a atenção de pais, alunos, professores e visitantes, não somente pela estética e dimensão visual do projeto, mas pela importância e convite à reflexão sobre o problema ambiental.
O projeto ganhou grande visibilidade e a Baleia está em exposição na empresa Natura, em Cajamar, como parte de uma campanha interna de responsabilidade ambiental, em um espaço com circulação de 2,5 mil pessoas por dia.




Fonte: Estadão de 19 de dezembro de 2017.




quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Foto de Orcas da Ilha Marion é premiada

Nico de Bruyn, Pesquisador sul-africano, recebeu um prêmio internacional de fotografia pela imagem de Orcas na Ilha Marion.
Cientistas do mundo todo enviaram fotos para a Competição do The Royal Society e o pesquisador do MIMMP (Marion Island Marine Mammal Programme – Programa de Mamíferos Marinhos da Ilha Marion) foi escolhido na categoria “Ecologia e Ciência Ambiental”.
Anexada à África do Sul em 1947, a Ilha Marion está situada no sul do Oceano Índico, no caminho da Corrente Circumpolar Antártica. A meio caminho entre a África do Sul e a Antártica, a ilha é a base terrestre de elefantes-marinhos-do-sul, de lobos-marinhos-do-peito-branco, de lobos-marinhos-antárticos e de Orcas. À princípio o trabalho de pesquisa realizado no local era focado apenas nos lobos e elefantes-marinhos, mas com a observação frequente de Orcas, elas passaram a ser catalogadas e acompanhadas por pesquisadores também. Um número surpreendente delas visita a Ilha Marion Island ao longo do ano, em especial durante a primavera e o verão do hemisfério sul (de outubro a dezembro) e em menor quantidade durante o outono austral (de março a maio). Cerca de 60 Orcas já estão catalogadas e metade delas retornam à ilha regularmente. Muitas delas também são observadas com frequência nas vizinhas Ilhas Crozet, localizadas a 950 km, sentido leste.
A população de Orcas da Ilha Marion parece muito saudável e gerou vários filhotes nos últimos cinco anos.
O trabalho contínuo de identificação com foto visa coletar dados para análises demográfica e de interação social para o futuro.
Confira a bela imagem premiada abaixo, além das Orcas, os pinguins a deixa ainda mais especial. 





sábado, 9 de dezembro de 2017

Arqueólogos “ressuscitaram” um dos mais antigos e enigmáticos geóglifos de Nazca

Uma equipa de arqueólogos peruanos, liderada por Johny Isla Cuadrado, responsável pelo Gabinete Descentralizado de Cultura da região Ica, conseguiu encontrar e recuperar um dos geóglifos mais “enigmáticos e antigos do circuito Palpa-Nazca”, de acordo com o jornal peruano La República.
O geóglifo em questão, que representa uma orca e mede cerca de 60 metros, foi fotografado pela primeira vez nos anos 60, na encosta de uma colina, e foi posteriormente dado como perdido.
A equipe arqueológica conseguiu agora encontrar de novo a impressionante figura que “corre um grande perigo” devido ao tráfico de terras nos terrenos onde foi construída. Durante a noite, aponta o jornal, a região tem sido saqueada por traficantes que se apropriam de terreno protegido, que consideram “lotes desocupados”.
A figura, que apenas pode ser vista a partir do cume de uma colina próxima, terá sido criada, segundo estimam os arqueólogos, por volta do ano de 200 D.C.


“Ao contrário das linhas de Nazca, o hieróglifo da orca está desenhado ao lado de uma colina, o que indica que se trata de um dos primeiros geóglifos da região“, explica Johny Isla Cuadrado.
Da mesma forma, Johny recorda que “há outros geóglifos deste tempo em Palpa, coisa que quase não acontece em Nazca, onde a maioria das linhas e geóglifos está em zonas planas”.
O enigmático geóglifo voltou à vida, juntando-se às restantes figuras misteriosas de Nazca, que ninguém até agora conseguiu descobrir quem criou – ou porque o fez.



Fonte: aeiou (Portugal) de 4 de dezembro de 2017.



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Gravidez de Morgan: Nota da autora

Quem acompanha o blog sabe bem quanto me envolvi com o caso da Orca Morgan. Desde o início tentei trazer informações sobre ela e sua trajetória, sendo o blog o primeiro veículo de comunicação no Brasil a contar sua história. Foram muitas leituras, muitas trocas de e-mails, muitas traduções...
Nos dias audiências passei informações em tempo real minuto a minuto do que estava acontecendo em tribunal, torci, compartilhei, chorei... E chorei a cada veredito desfavorável à sua liberdade, em especial na madrugada de sua transferência para o Loro Parque, pois sabia que naquele momento tudo estaria perdido... Ela logo estaria se apresentando em shows como mais uma escrava do entretenimento e seus óvulos não escapariam dessa indústria suja que estava extremamente necessitada de uma linhagem nova.
E como muitos de nós já esperavam foi isso mesmo que aconteceu... E, por mais frustrante que seja, não há o que fazermos.
Pelo jeito nem as questões judiciais preocupam o parque... pois ainda tiveram a falta de vergonha de alegar que consideram "um direito natural de cada animal se reproduzir e que isso não deve ser reprimido em nenhuma circunstância". Natural? Animais de diferentes espécies confinados se reproduzindo antes da maturidade devida é natural? Sem palavras...
Bom, agora é aguardar e ver como será esse desfecho... Pelo que dizem a gravidez já está no sexto mês, temos mais um ano pela frente para acompanhá-la. Vou torcer por apenas uma coisa: o melhor para ela e seu filhote, porque dos humanos, infelizmente não temos mais o que esperar.


Em 13 de dezembro de 2012 eu já havia me desculpado para a Morgan pelos humanos... Cinco anos depois faço isso novamente... Sinto muito, pequena Morgan, desculpe-nos por termos falhado mais uma vez!



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Como esperado, Morgan está prenhe

Os rumores começaram há dois dias, após o jornal espanhol on-line “El Dia” ter publicado informações que teriam vindo do Veterinário do Loro Parque, Jorge Soares, e hoje, infelizmente, o parque confirmou que a Orca Morgan está realmente prenhe.
Morgan, como amplamente já detalhado aqui no blog desde 2011, foi resgatada em 2010 após ter sido descoberta por pescadores, sozinha no Mar de Wadden, à noroeste da costa da Holanda. Muito desnutrida e desidratada foi levada para o Dolfinarium Harderwijk para ser tratada. Durante este período consideraram que ela não poderia ser solta e em tribunal decidiram que deveria ser enviada ao parque temático Loro Parque, em Tenerife, na Espanha. Desde então Morgan vive no parque onde sofre ataques constantes de duas Orcas residentes Kohana e Skyla, e assim como as demais Orcas cativas, já demonstra diversos comportamentos resultantes de estresse como bater com a cabeça em paredes e comportas do tanque (um vídeo perturbador que mostra Morgan batendo numa comporta já foi notícia aqui no blog, leia: https://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2016/04/video-mostra-morgan-batendo-cabeca.html). Sabe-se que há tempos o parque se esforça em engravidá-la, inclusive a mantendo em tanques menores com machos sem chance de escapatória. Bom, as tentativas desesperadas do parque em engravidá-la valeram à pena...
Como a Morgan é de origem norueguesa, seu filhote obrigatoriamente será mais um híbrido de cativeiro. Dentre os machos há dois híbridos de Orcas islandesas com residentes (Keto e Adan, o segundo já sendo um filhote consanguíneo) e um híbrido islandês-transeunte Bigg's (Tekoa). Independentemente de quem for o "pai", reproduzir a Morgan é um ato que vai contra a ciência e esforços conservacionistas, afinal não há relevância no estudo de animais híbridos que jamais existiriam na natureza. Além de que o fato vai contra a permissão que foi concedida para que vivesse no Loro Parque de que sua manutenção seria apenas para fins científicos. Sem contar que Orcas em cativeiro não prosperam  e sua reprodução é um ato irresponsável contra o bem estar animal que apenas causa sofrimento.
"Para nós, esta notícia não é uma surpresa, há anos o Loro Parque tem tentando engravidar Morgan, e o fizeram independentemente da proibição para reprodução e de sua pouca idade, o que pode ser perigoso tanto para ela quanto para o filhote”, afirmou o Vice Presidente do Free Morgan Foundation.
Tal notícia chegou poucas semanas antes da próxima audiência sobre o caso Morgan, em 23 de janeiro de 2018. O advogado da Fundação Bondine Kloostra disse: "um dos motivos para termos entrado com recurso sobre seu caso é o fato da Morgan estar sendo exposta a Orcas macho nascidas em cativeiro enquanto sua reprodução é proibida ".
A Dra. Ingrid Visser, Presidente e Assessora Científico da Fundação declarou, "se a Morgan der à luz um filhote híbrido, isso não contribuiria em nada para a conservação da população de orcas selvagens, mas em compensação, um filhote com uma nova linhagem genética geraria muito lucro para o Loro Parque".




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Baleias azuis são canhotas

Estudar baleias azuis pode ser uma empreitada bastante difícil. Ainda que seu tamanho gigantesco facilite alguns tipos de observação, conseguir dados precisos sobre o comportamento desses gigantes das profundezas oceânicas é um trabalho hercúleo. Chegar perto delas foi o primeiro desafio dos pesquisadores, que publicaram, no periódico Current Biology, a conclusão de que, de certa forma, as baleias azuis são canhotas.
Ficar próximo de uma baleia azul não é tão difícil, se você sabe onde encontrá-las. Difícil é se aproximar o suficiente para fazer o que os cientistas precisavam: acoplar sensores altamente sensíveis na bichinhas, contendo acelerômetros. É a mesma tecnologia usada no seu celular e outras tecnologias para detectar movimentos – e contar passos ou calorias queimadas em um dia, por exemplo.

Depois de fazer uma visitinha às baleias em um santuário próximo à Califórnia, os pesquisadores conseguiram acoplar os sensores e monitorar 63 delas. Eles queriam entender como os movimentos delas eram associados aos seus hábitos alimentares. Ao estilo Free Willy (mesmo sendo de outra espécie) elas costumam fazer “acrobacias” no dia a dia. Não é para serem exibidas: essa é a estratégia de captura de krill, principal alimento desses animais.

O que os dados dos sensores revelaram é que a coreografia das baleias variava conforme a profundidade da água onde estavam. No fundo do mar, onde a concentração de krill era maior, elas faziam curvas curtas e bem simples. A maior parte do tempo, giravam para a direita, no sentido horário.

Já quando estavam a menos de 60 m de profundidade, a história era outra. Tinha menos krill por volume de água, então a operação precisava ser mais meticulosa. Quando a mais alta precisão era necessária, as baleias favoreciam o lado esquerdo. A imagem do artigo ilustra bem a diferença:

A figura superior mostra as acrobacias de baleias em águas mais rasas. A ilustração inferior mostra o mesmo comportamento em maiores profundidades. (Ari S. Friedlaender et al. Current Biology//Reprodução)

Os dados são consistentes com a manifestação de lateralização cerebral: quando o cérebro, para aumentar a eficiência de alguma atividade, passa a favorecer um dos lados do corpo. É por isso que escrevemos, tocamos instrumentos e batemos pênaltis com um lado preferencial. E também parece ser por isso que as baleias preferem o lado esquerdo para se alimentar com primazia.

Ainda não dá para cravar porque a lateralização varia conforme a profundidade da água nem qual a vantagem que cada um dos lados oferece para a rotina do bicho. Os pesquisadores acreditam que ela pode estar associada à relação entre olhos e cérebro.

O olho direito da baleia azul (assim como o seu) está ligado ao lado esquerdo do cérebro (e vice versa). Esse é o hemisfério que controla “movimentos ensaiados” – dos quais depende a caça da baleia, especialmente quando o alimento está mais escasso. Quando a baleia gira para a esquerda, ela consegue manter o olho direito o tempo inteiro na presa e ir controlando os detalhes da acrobacia. Essas minúcias garantem vantagem na caça em águas rasas. Nas águas profundas, esse esforço todo não seria necessário, porque tem comida para todo lado. Mas fica faltando entender porque, nesses casos, a baleia vê vantagem nos giros para direita. É uma vira-carcaça, mesmo.




Fonte: Superinteressante de 27 de novembro de 2017.




quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Orca encalha e é salva na Nova Zelândia

Uma força-tarefa que incluiu o exército, biólogos, veterinários, voluntários e especialistas do Orca Research Trust e do Whale-Rescue conseguiu salvar uma Orca macho de um encalhe na Nova Zelândia. A Orca, que provavelmente encalhou caçando raias em águas pouco profundas, foi encontrada na manhã de domingo (12 de novembro) na praia de Marfeels e a ajuda veio através da moradora local Anna McIntosh que a encontrou. Sem saber exatamente o que fazer, ela divulgou o caso pelo Facebook pedindo ajuda. Em pouco tempo uma equipe já estava formada para auxiliar no salvamento, incluindo equipes do Exército da Nova Zelândia, nos EUA, do Canadá e da Austrália que estavam em região próxima passando por treinamentos.
A equipe passou a noite ao lado da Orca garantindo sua hidratação e conforto para que tivesse condições de sobreviver até que cavassem um pequeno canal que permitisse seu deslocamento. Quando a maré subiu, a equipe a conduziu mar adentro. Após uma pequena pausa para descanso seguiu com firmeza. Por 48 horas a região foi monitorada para que se certificassem de que ela não encalharia novamente (normalmente sinal de que o animal está com problemas de saúde e dificilmente sobreviveria), o que não ocorreu. Portanto, o salvamento foi considerado um sucesso. Sabe-se apenas que um pod de Orcas estava a sua espera pois foram detectadas vocalizações próximas à praia do encalhe durante toda a noite em que ela permaneceu no local.




Em nota em sua página do Facebook, o Orca Research Trust agradeceu imensamente todos os envolvidos, detalhando que o salvamento não teria sido possível se não tivessem tido tanto auxílio.
No link abaixo e possível assistir ao vídeo do encalhe e do momento do salvamento:
http://www.newshub.co.nz/home/new-zealand/2017/11/volunteers-work-through-night-to-save-stranded-orca.html

As imagens são do Ross Wearing e do Project Jonah, uma entidade dedicada a proteção de baleias, golfinhos e focas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Orcas são perseguidas por causa de selfies

Alisa Schulman-Janiger, pesquisadora e integrante da American Cetacean Society, estava observando um pod de Orcas próximo à cidade de Huntington Beach, na Califórnia, EUA, na última sexta-feira, quando viu três pessoas de jet-ski determinadas a se aproximarem do pod. Ao invés de manterem a distância para não perturbarem os animais, conforme exigido por lei, Alisa assistiu às pessoas em disparada em direção ao pod emitindo um intenso ruído. “As Orcas estavam emergindo em volta dos Jet-skis e tanto as Orcas quanto as pessoas poderiam ter se ferido”.
O motivo para esse comportamento arriscado? Aparentemente o que queriam era tirar selfies. A pesquisadora relatou que em dois momentos os jet-skis quase colidiram com as Orcas, incluindo com um dos filhotes, e preocupada com sua segurança, ela pediu às pessoas que mantivessem a distância, mas não houve sucesso. “Nós gentilmente pedimos que se afastassem”, disse ela, “mas quinze minutos depois, fizeram novamente”. Pelo jeito, uma postagem na Internet parecia mais importante.
O incidente só chegou ao fim quando o pod mergulhou profundamente alterando seu curso numa visível tentativa de escapar. “As baleias se incomodaram e fugiram após terem mantido um curso previsível por horas”, e não foram vistas novamente.

Imagens divulgadas na página da pesquisadora no Facebook

Se as imagens obtidas pela Alisa servirem de prova, essas pessoas poderão pagar um preço alto pelo que fizeram. De acordo com as leis americanas, perturbar Orcas é ilegal e pode gerar multa de 11 mil dólares e até um ano de prisão. Ela contou já ter informado às autoridades e pede que fiquemos atentos, caso as fotos do grupo sejam publicadas na Internet.
Infelizmente, esse comportamento tornou-se cada vez mais comum na era das mídias sociais em que o desejo de obter a selfie perfeita e o maior número de curtidas ultrapassa qualquer limite. Vemos diariamente, no mundo todo, animais sendo dopados em zoológicos para que pessoas possam ser fotografadas com eles, já vimos até golfinho morrendo na mão de pessoas em busca de selfies e agora isso? Pessoas perseguindo Orcas na natureza pelo prazer e vaidade de uma foto ao lado delas? Aonde mais iremos chegar? O que mais precisa acontecer para compreenderem o mal que estão causando? Bom, basta-nos torcer para que essas pessoas sejam encontradas e punidas.