domingo, 20 de agosto de 2017

Santuários de Orcas: Seria uma boa solução? NÃO


Seguindo a proposta do blog de apresentar argumentos a favor e contra a construção de santuários de baleias, segue matéria do jornal San Diego Union Tribune contra os santuários:



"Cercados oceânicos para baleias não é a solução ideal"


Por Mark Simmons
Publicado em novembro de 2015
San Diego Union Tribune


A transferência de animais que passaram a vida toda em instituições zoológicas credenciadas como o SeaWorld para cercados de redes no oceano se tornou uma discussão frequente dos grupos de direitos dos animais. Posso falar por experiência própria sobre esta questão: A realidade desse tipo de cercado para Orcas é bem diferente do que a fantasia idealizada pelos ativistas.
Para compreender por que esta é uma opção fraca para esses animais, vale entender a vida que eles têm no SeaWorld. Ao se oporem a zoológicos e aquários, os ativistas repetidamente deturpam os fatos com relação ao habitat, aos cuidados veterinários, ao progresso, à interação social e ao treinamento das Orcas do SeaWorld.
Eu passei muitos anos me dedicando a esses animais de uma forma que os ativistas nunca nem imaginam compreender.
Com relação ao comprometimento do parque com esses animais, eu concordo completamente com a Associação de Zoológicos e Aquários, que diz que eles “atendem e até excedem o mais alto padrão de cuidados e bem-estar animal do que qualquer organização zoológica do mundo”. 
Pesquisas recentemente revisitadas mostram que a família de Orcas do SeaWorld está vivendo tanto quanto algumas as populações selvagens estudadas. Mas o que é mais interessante é a tendência observada na expectativa de vida, sobrevivência e longevidade dos bebês do parque. Se a próxima década for como a última, as Orcas do SeaWorld estarão vivendo bem mais que as selvagens e isso jamais poderia ocorrer com animais estressados e sofridos.
Grupos de defesa dos animais também deturpam o que é a vida das Orcas nesses cercados no oceano. Eu fui membro da equipe que cuidou do Keiko, baleia famosa pelo filme “Free Willy”, antes de sua trágica, desnecessária e prematura morte em 2003. Ele passou a maior parte do tempo em que estava “livre” em um desses cercados na Islândia.
Eu estava presente (mais de uma vez) quando o cercado foi destruído por uma tempestade. Eu estava presente quando Keiko brincou com (e provavelmente engoliu) objetos estranhos retirados do fundo do mar. Eu estava presente, em mais de uma ocasião, em que ele ficou doente por se expor a patógenos que jamais teria tido contato num ambiente zoological.
Lamentavelmente, eu não estava presente (às vezes por longos períodos) quando o extremo mau tempo nos impediu de tratá-lo.
Orcas não podem ser comparadas a outras espécies às vezes transferidas a “santuários” tais como elefantes e chimpanzés. O ambiente marinho é certamente implacável e traiçoeiro, mas além dos desafios físicos óbvios, há indiscutivelmente mais perigos invisíveis para olhos inexperientes. Aposentadoria é um conceito humano que não existe na natureza e “santuário” é um termo falso frequentemente usado como alternativa para “cativeiro”. O contraste tem o objetivo de apelar para o emocional e nenhum animal se beneficia disso. É exatamente esta mentalidade (muito simplificada e sentimental) que levou à morte do Keiko.
Imagine o cão da sua família colocado numa área cercada num campo. Ele seria alimentado, mas teria pouco ou nenhum contato humano.  Isso é o que os ativistas querem para a família de Orcas do SeaWorld.
Alguns dos que mais defendem a criação de cercados oceânicos possuem apenas um exemplo em seu currículo: Keiko. O título do meu livro, “Killing Keiko” (sem nome em Português, mas que pode ser traduzido como “O Assassinato de Keiko”), é rude e é a verdade. Os ativistas de direitos dos animais mataram aquele animal. Se o Keiko Release Project (Projeto de Soltura de Keiko) estivesse sob jurisdição dos EUA, esses mesmos indivíduos seriam processados por conta das leis de proteção de mamíferos marinhos, e com razão.
Não há duvidas de que mamíferos marinhos, inclusive cetáceos, podem ser tratados com segurança em cercados nos oceanos. Existem organizações certificadas cujo comprometimento com o bem-estar animal deve jamais ser questionado e que tratam de seus animais dessa forma há muitos anos, dentre elas, a Marinha Americana. Mas para as Orcas do SeaWorld, cuja maioria nasceu em cativeiro, esses cercados são uma opção ineficaz.
Todos aqueles que se preocupam com Orcas deveriam focar sua atenção não nas que prosperam nos habitats do SeaWorld, mas na situação do meio marinho e nos animais como as Orcas Residentes do Sul do Noroeste do Pacífico que já se encontram ameaçadas. Qualquer outra coisa é um desserviço tanto para as baleias do SeaWorld quanto para as populações selvagens.




sábado, 19 de agosto de 2017

Santuários de Orcas: Seria uma boa solução? SIM

Seguindo a proposta do blog de apresentar argumentos a favor e contra a construção de santuários de baleias, segue reportagem da revista Hakai Magazine a favor dos santuários:



"Moradia de Luxo para Baleias Aposentadas"


Por Amorina Kingdon
Publicado em março de 2017
Hakai Magazine


Existem 24 Orcas vivendo em cativeiro na América do Norte e aproximadamente mais 30 em todo o mundo. Para turistas e crianças de olhos arregalados, elas são uma maravilha que talvez jamais poderiam ver de outra maneira. Mas para um público cada vez maior, a preocupação com o bem estar dessas baleias é tão importante que nem que fosse apenas uma em cativeiro, já seria muito. Em resposta a essa mudança de senso de moralidade, muitos aquários estão aos poucos encerrando programas de reprodução, apresentações ao público, além de estarem redesenhando os tanques que habitam. Mas ambientalistas dizem que isso não é o suficiente.
Sendo a soltura no oceano não considerada uma opção, pois mesmo algumas delas tendo sido capturadas da natureza, muitas nasceram em tanques e jamais viram uma única onda. Isto posto, o Whale Sanctuary Project (Projeto Santuário de Baleia) acredita ter uma solução melhor: Cercados oceânicos onde as baleias possam finalmente descansar, meio que um “meio caminho” entre o cativeiro e a liberdade.
“Sabemos que esses animais não se dão bem em tanques de concreto”, diz Lori Marino, Diretora Executiva do Whale Sanctuary Project ex-Diretora de Ciência do Nonhuman Rights Project (Projeto Direitos de Não Humanos).
A pesquisa sobre a expectativa de vida das baleias comparada à das selvagens é controversa, mas há outros dados preocupantes. A Lori aponta as causa da morte de muitas das Orcas cativas: Pneumonia e outras infecções crônicas causadas por sistema imunológico debilitado. Taku, uma Orca macho mantida pelo SeaWorld de San Antonio, morreu por ter contraído o vírus do oeste do Nilo devido à picada de insetos, provavelmente porque a pouca profundidade dos tanques o forçaram a passar parte do tempo na superfície, tornando-o mais vulnerável. E um estudo com golfinhos nariz de garrafa mostrou que tanques menores levam a níveis mais altos de hormônios do estresse. (Orcas são os maiores membros da família dos golfinhos.)
Portanto, ela deseja devolver as baleias ao oceano, pelo menos de certa forma...
A partir de uma pequena lista de possíveis locais nos estados estadunidenses de Washington e Maine, e nos estados canadenses da Columbia Britânica e Nova Escócia, ela e seus parceiros de projeto pretendem construir o primeiro santuário permanente de Orcas do mundo.  
O santuário seria numa enseada ou numa baía com área de pelo menos 600 metros, cercada de paredes de redes de malha de 15 cm de espessura. Esta é uma área semelhante a de um campo de rúgbi e significativamente maior que a maioria dos tanques de Orcas. O santuário teria instalações veterinárias, tratadores presentes diariamente, 24 horas por dia, e capacidade para se subdividir em caso de necessidade de quarentena para baleias com problemas de saúde ou mesmo para separar aquelas com problemas de convivência. Como elas não poderão caçar, receberão peixe congelado dos tratadores.
Por fim, a Lori calcula que a construção do santuário custaria aproximadamente 20 milhões de dólares; e acredita que os custos de manutenção poderão prover de doações e da venda de materiais educativos.
Este tipo de cercado não é uma ideia nova. A Marinha estadunidense mantém golfinhos, leões marinhos, Orcas e outros mamíferos marinhos dessa forma, no estado da California. O Aquário Nacional em Baltimore, no estado de Maryland, também planeja construir um cercado no mar para seus golfinhos até 2020. E antes do Keiko (Orca estrela de “Free Willy”) voltar à natureza, ele viveu num cercado temporário numa enseada na Islândia.
Charles Vinick, membro do conselho do Whale Sanctuary Project e Engenheiro Chefe do cercado do Keiko na Islândia, diz que muitos dos detalhes do proposto santuário dependerão do local que será escolhido para sua construção, bem como este também deve atender a alguns critérios: O cercado deverá ter pelo menos 15 metros de profundidade na maior parte de sua extensão, ser de água fria, de boa circulação e alto nível de qualidade da água, sem que haja qualquer tipo de escoamento por atividades humanas, como de madeireiras.
Charles reconhece que haverá desafios e eventos imprevisíveis, como, por exemplo, o tipo de interação de Orcas mantidas menos tempo com as populações selvagens. Na Islândia, era raro ver Orcas selvagens próximas ao cercado do Keiko. “Elas não vinham para dentro da baía”, contou ele. “Quando vinham, estavam apenas de passagem. Mantínhamos hifrofones na água, e não notávamos curiosidade com relação a ele.” Porém, as informações coletadas na Islândia não foram conclusivas. Por precaução, eles gostariam que este santuário fosse longe dos locais normalmente frequentados por Orcas. 
Outra preocupação seria sobre quais novos patógenos as baleias encontrariam no local ou mesmo introduzir ao novo ecossistema. “Não sabemos”, reconhece Lori. “É um risco”. Ela diz que é por isso que o local precisa de monitoramento e bom fluxo de maré.
Harald Yurk, ecologista comportamental e especialista em bioacústica do JASCO Applied Sciences que analisou as vocalizações do Keiko antes de sua soltura, gosta da ideia dos santuários, mas acha preocupante a transferência de Orcas de um ambiente familiar para outro, o que pode causar algum tipo de estresse.
Animais retirados de tanques podem reagir da mesma forma que humanos saindo da prisão após longas penas. “Elas podem, simplesmente... Assustar!”, diz ele. Baleias acostumadas a treinamentos, shows, e outras interações, por mais que não sejam atividades naturais, podem achar a mudança na rotina ou a falta de interação estressantes. Harald alega que os tratadores deverão acompanhar as Orcas para garantir que estejam se movimentando, explorando o novo espaço e emitindo vocalizações, que são sinais de contentamento.
Até agora, a reação dos aquários com relação ao santuário foi indiferente. Mark Simmons, ex-treinador do SeaWorld e autor do livro “Killing Keiko”, chamou o plano de “sentimental e muito simplificado” no jornal San Diego Tribune.
O Aquário de Vancouver ainda não se posicionou oficialmente.
A Lori acredita que o silêncio dos aquários é compreensível, mas espera ter um diálogo produtivo quando local para construção for definido, algo que espera que ocorra este ano. No final das contas, segundo ela, ambas as partes desejam o melhor para as baleias.
Ainda de acordo com ela, o público se preocupa com o bem estar das baleias de cativeiro desde que começaram as ser capturadas nas décadas de 1960-70, mas agora este sentimento é fundamentado com dados, “Faz tempo que não é mais questão de opinião”.


P.S.: Quer saber mais sobre o Projeto? Visite o site oficial:




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Santuários de Orcas: Seria uma boa solução?

Quem acompanha o blog sabe que sua posição é claramente anti-cativeiros. Sabe também que aqui já foram citadas diversas vezes a ideia de um santuário de baleias como opção para por um fim aos modelos antigos (e infelizmente ainda atuais) de manutenção de cetáceos em tanques de concreto. E coincidentemente há algumas semanas, ao pesquisar mais detalhes sobre os projetos para este tipo de santuário (que na verdade, seriam cercados nos oceanos, onde as Orcas ainda seriam mantidas (algumas por um período de reabilitação e outras para sempre) presas e tratadas por humanos, mas em seu ambiente natural), encontrei dois posicionamentos completamente divergentes. Um a favor e outro contra. Como considero que ambos apresentam argumentos válidos, ao invés de dar a minha interpretação, resolvi compartilhar ambos na íntegra com vocês. Dessa forma, cada um pode se posicionar como desejar.
Amanhã publicarei uma reportagem que traduzi da revista Hakai com a líder do The Whale Sanctuary Project (Projeto Santuário de Baleia), a Neurocientista e Especialista em comportamento e inteligência animal, Lori Marino. Ela não só defende a criação desses santuários, como lidera uma equipe que está desenvolvendo o projeto para construção dos mesmos.

Em seguida, publicarei uma matéria escrita por Mark Simmons, ex-treinador do SeaWorld, que fez parte do projeto de soltura da Orca Keiko (estrela do filme Free Willy) e que hoje, defende que esses santuários não são uma boa solução para Orcas de cativeiro.

Com isso, espero fornecer aos meus leitores, não as minhas impressões ou meu ponto de vista sobre o tema, mas apresentar argumentos de pessoas com experiência e conhecimento técnico, dessa forma, permitir que cada um reflita e tire suas próprias conclusões.

Espero que seja útil e aguardo feedbacks e comentários com as opiniões de cada um!



Abaixo, segue informações sobre cada um deles:

LORI MARINO
Lori Marino é Neurocientista e Especialista em comportamento e inteligência animal, anteriormente da faculdade da Universidade Emory. Ela também é fundadora e Diretora Executiva do Kimmela Center for Animal Advocacy, que se dedica exclusivamente a superar a lacuna entre a pesquisa acadêmica e bolsas de estudos e os esforços de defesa dos animais. É internacionalmente conhecida por seu trabalho sobre a evolução do cérebro e a inteligência de baleias e golfinhos em comparação aos primatas. Em 2001, foi co-autora de um estudo inovador que fornece a primeira prova conclusiva do auto-reconhecimento de golfinhos da espécie nariz-de-garrafa da própria imagem (em espelhos). Em seguida, decidiu não prosseguir com novas pesquisas com animais de cativeiro.
A Lori já publicou mais de 100 trabalhos empíricos e de revisão sobre a evolução e o comportamento do cérebro dos golfinhos e primatas, sobre relacionamentos de animais não-humanos, incluindo questões psicológicas e filosóficas sobre a exploração animal e, mais especificamente, críticas à terapia com golfinhos e outras questões que envolvem animais em cativeiro.

MARK SIMMONS
Mark Simmons é Vice Presidente Executivo do Embassy Ocean, baseado na Flórida, e autor do livro “Killing Keiko: The True Story of Free Willy’s Return to the Wild” (sem nome em Português, mas que pode ser traduzido como "O assassinato de Keiko: A verdadeira história do retorno de Free Willy à natureza"). Ele trabalhou no SeaWorld de Orlando e foi Diretor de Criação no projeto de Soltura do Keiko.  É membro do conselho do Marine Mammal Conservancy e Embassy Blue Institute.

Ambos são entrevistados e têm seus argumentos mostrados no documentário "Blackfish", portanto, figuras respeitadas no meio.



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Morre Kasatka, a 41a. sob cuidados do SeaWorld

A morte da Orca Kasatka ontem à noite era completamente prevista. Há meses temos vistos imagens terríveis de sua pele deteriorando pelo que, tudo indicava, ser uma doença crônica provavelmente causada por fungos. O SeaWorld negava alegando que o problema era decorrente de bactérias e que ela estava com problemas respiratórios... No entanto, a todos que amam os animais essa informação pouco importava. Estava claro que ela enfrentava um intenso sofrimento. E pela primeira vez na história, o SeaWorld optou pelo sacrifício. Em comunicado, informaram que ela havia piorado demais nas últimas semanas, não se alimentava mais, mesmo com todos os cuidados voltados para ela. Disseram que tudo que estava a seu alcance foi feito para evitar este momento e que ela morreu “cercada de seu pod* e tratadores que tanto a amavam”.
Ela tinha aproximadamente 42 anos e era uma das poucas Orcas do SeaWorld ainda vivas que foram retiradas do oceano. Ela foi capturada quando tinha pouco mais de 1 ano, ao final da década de 70... Sua história deveria ter sido nas águas gélidas e cheias de vida da Islândia e jamais numa piscina de concreto. Kasatka foi também quem protagonizou as cenas de um quase afogamento de um dos treinadores do SeaWorld, Ken Peters, anos atrás (reveja na postagem "Vídeo mostra ataque ao treinador Ken Peters" - link: https://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2012/07/video-divulgado-mostra-ataque-ao.html. Sinal mais que contundente do stress que vivenciava no dia a dia.

Em homenagem à Kasatka, traduzi abaixo, o desabafo que o ex-treinador John Hargrove (já muito mencionado aqui no blog por seu trabalho e apoio ao blog), publicou no Instagram hoje. Ela fala do amor que sentia, das tentativas de chamar a atenção sobre sua saúde e até dos erros que hoje acredita ter cometido ao "aceitar" sua vida em cativeiro, o que é uma reflexão válida para todos nós e sobre o amor que achamos que sentimos. Acho justo conhecermos os sentimentos de quem realmente conviveu com ela, por isso a escolhi essa mensagem para compartilhar com vocês.
E assim como escrevi após da morte do Tilikum, repito para Kasatka:

Sua liberdade finalmente chegou...
Seu sofrimento acabou!


* * * * *

"A Kasatka está MORTA. Eu tentei ao máximo expor seu caso ao público e forçar o SeaWorld a permitir que a imprensa tirasse fotos dela e do que lhe estava acontecendo e insisti que um laboratório independente realizasse seus exames, mesmo sabendo que o parque jamais permitiria, por uma única razão: Eu a amava e eu sinto muitíssimo ter por tantos anos engolido todas aquelas MENTIRAS e ter achado que AQUILO estava "ok". Eu pareço tão feliz nesta foto e eu me lembro deste momento. Se ao menos eu tivesse percebido naquela ocasião como seria o fim de todas elas. Chega a me dar náuseas pensar em como apoiei a crueldade que é o cativeiro... Eu era ingênuo e pensava que já que as amávamos, estava tudo bem. No entanto, muitas mentiras, muitos acobertamentos, muitas mortes, tanto de baleias quanto de treinadores ocorreram e tudo aquilo morreu para mim. Agora, minha responsabilidade é usar toda minha experiência para expor essa indústria até que ela esteja morta também. E o SeaWorld sabe que o que expus é só a ponta do iceberg. O que eu sei vai fazê-los parar para sempre. Desculpe-me, Kasatka."




* no mínimo irônico, o SeaWorld se referir às Orcas que dividiam (por obrigatoriedade e não necessariamente por conta de laços de família ou membros da mesma espécie como na natureza) o tanque com a Kasatka de "pod".



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Orcas sofrem com testes da marinha canadense

Empresas de observação de baleias estão aborrecidas com a Marinha Real Canadense alegando que exercícios de treinamento foram realizados próximos a um pod de Orcas Residentes do Sul.
Navios na marinha fazem frequentemente testes com explosivos na Ilha de Bentinck, no Estreito de Juan de Fuca, e seguem o protocolo de interromper as explosões caso embarcações ou baleias estejam num raio de 1km do local. Mark Williams, de uma das empresas, contou que este protocolo não foi seguido a semana passada enquanto ele estava com um grupo de turistas numa reserva ecológica próxima observando Orcas. “Do nada, ouvimos uma explosão gigantesca”, contou ele. “Obviamente ficamos em choque e muito assustados, pois à princípio não sabíamos do que se tratava. Foi um estrondo muito grande. Na verdade, pudemos sentir a pressão no peito de dentro do barco, portanto, imagine o que as baleias sentiram.”
Há tempos a indústria de observação espera conseguir estabelecer uma melhor comunicação com a marinha próxima a essas localizações.
A marinha se defendeu alegando que as Orcas não estavam tão próximas e que mantém um barco com observadores para informá-la, caso mamíferos marinhos estejam por perto. “Estamos certos de que os procedimentos de segurança foram seguidos”, disseram em comunicado. “Em nenhum momento qualquer pessoa ou vida marinha esteve em perigo. Aconselhamos todas as operadoras a respeitarem distâncias seguras quando estiverem próximas às áreas de exercícios de treinamento.”

* * * * *

Apesar de praticamente ignorado pela mídia e pelo público em geral, as consequências não só de treinamentos com explosivos, mas de frequências sonoras e diversas outras operações realizadas em nome da “segurança nacional” de diversos países, são assombrosas e muitas vezes imensuráveis para a vida marinha. É sabido que por conta do biosonar (utilizado para comunicação e localização) que os cetáceos possuem, determinadas frequências sonoras podem não só desorientar (causando a morte por encalhes, por exemplo), mas causar danos profundos à saúde dos animais, incluindo o sangramento dos olhos, dos ouvidos e a morte.
Pretendo preparar uma postagem especial sobre este tema para as próximas semanas. Aguardem!



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Jubarte deixa quatro pessoas feridas na Austrália

Um homem perdeu a consciência e três sofreram fraturas no rosto e nas costelas depois que uma baleia arremeteu contra a embarcação em que navegavam pela costa norte da Austrália.
O capitão do barco de nove metros informou que retornava para um porto no estado de Queensland com oito passageiros a bordo quando uma baleia jubarte atingiu a embarcação por trás, o que elevou o barco.
“Em uma fração de segundo, todos caímos no chão e o barco voou”, disse à AFP o capitão, Oliver Galea.
“Ninguém entendeu o que estava acontecendo”, completou.
Um sul-africano de 71 anos perdeu a consciência e foi levado para um hospital de helicóptero, assim como outros três homens.
Um turista sofreu uma fratura no nariz e recebeu oito pontos por um ferimento na cabeça. Um terceiro passageiro teve fraturas no rosto e outro saiu do acidente com costelas fraturadas.
“Vemos baleias o tempo todo, mas nunca havia acontecido algo assim”, disse o capitão.



Fonte: Isto é de 07 de agosto de 2017.



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Orcas são vistas em Ilhabela mais uma vez

Se tem uma notícia que eu gosto de dar aqui no blog é esta que tenho o prazer de compartilhar agora: Orcas foram vistas nesta tarde no litoral de São Paulo!

O registro foi realizado por Biólogos do Instituto Argonauta, na Ponta da Sepituba, em Ilhabela, no estado de São Paulo. Eram cinco delas, sendo dois deles filhotes. Todas muito saudáveis.
Em entrevista para o G1, o Oceanógrafo Hugo Gallo, disse acreditar que elas aparecem em busca de águas mais quentes nesta época do ano. "São animais fantásticos e o inusitado é que sempre vemos imagens de orcas com gelo ao fundo, em locais como a Patagonia, Canadá, mas nessas imagens aparece a mata atlântica de fundo. É bem legal", comentou.


Numa outra ocasião, cerca de dois anos atrás, quando Orcas também apareceram em Ilhabela, uma fonte local contou ao blog que os avistamentos são bastante comuns, que têm ocorrido todos os anos, mas que nem sempre viram notícia.
É comum também lermos em redes sociais pessoas contando que as vêem com certa frequência na região.
E que maneira maravilhosa de começarmos o mês, não?



sábado, 29 de julho de 2017

Morte da Orca bebê Kyara chama atenção para cativeiros

A grande repercussão causada pela morte da baleia orca Kyara, na última segunda-feira (24), em San Antonio, Texas, fala por si só. O mundo está mudando. Ou melhor, o ser humano está mudando, enquanto navega neste mar turbulento de incerteza, um oceano dos tempos modernos. É bem como dizia o poeta Fernando Pessoa (1888 - 1935): navegar é preciso, viver não é preciso.
E na imprecisão que é a vida, tão justa para alguns tão injusta para outros, revezando-se permanentemente na distribuição desta justiça, em forma de realidade, pode-se dizer que as injustiças vividas pelos animais já não soam com tanta indiferença aos humanos como em tempos atrás. Segundo a opinião de especialistas, Kyara não morreu apenas no cativeiro. Ela morreu de cativeiro.
Kyara, filha de Takara, era a última orca do parque aquático a ser criada em cativeiro, já que a SeaWorld, empresa americana que era "dona" dela, havia encerrado tal método de reprodução há alguns meses. A pressão da opinião pública estava grande, dentro de um novo conceito: entretenimento com baleias tem causado sofrimento a elas e, inclusive, encurtado suas vidas, conforme ressalta Caroline Zerbato, ativista de direitos dos animais e diretora da agência Baleia Comunica.
— A retirada de orcas da natureza nas décadas de 70 interferiu no ecossistema naquele momento. Hoje isso não mais é permitido. No cativeiro elas desenvolvem comportamentos psicóticos. Quando as pessoas vão ao show, elas pensam que o comportamento é genuíno, mas não é. São truques por trocas de comida, após muito sofrimento. Depois que termina o show os animais ficam letárgicos em um canto. 
A maior conscientização, segundo Caroline, decorre de dois fatores. Um deles é o maior acesso à informação nesta era de internet e afins, que permite algumas mudanças de paradigmas antes despercebidos. Os adolescentes dos anos 70, afinal, não percebiam, assim como a maioria das pessoas, o quão sacrificante era para os animais fazerem as apresentações.
Pensava-se no cuidado que eles recebiam do tratador, na alegria que eles demonstravam em cena e em outras percepções que apenas encobriam o óbvio. Mas o óbvio, ao longo da história, assim como uma baleia triste, demora anos para emergir.
O outro fator, segundo ela, foi o histórico documentário Blackfish, produzido em 2013. A autora, Gabriela Cowperthwaite, inicialmente, se propôs a fazer um filme típico dos que acreditavam na felicidade dos animais. Mas em pouco tempo, conforme conta Caroline, ela mudou de opinião e reformulou o contexto da obra.
A história tem como protagonista a orca (que tecnicamente não é baleia) Tilikum, macho reprodutor no SeaWorld, cujos genes estão presentes em pelo menos 50% das baleias do parque aquático, segundo Caroline.
Ele matou a treinadora durante uma apresentação, em 2010, e despertou a atenção mundial para o tema. Caroline afirma que não se sabe se foram reações de raiva ou simplesmente algo decorrente das dimensões incríveis do animal que, tentando brincar teria causado a fatalidade. O que se sabe é que a situação foi representativa. No documentário, a autora procurou destacar a beleza da natureza de Tilikum, morto em 2017, contrastando com a crueldade com que ele era tratado, na visão dos ambientalistas.
— O Tilikum era colocado em um conteiner para dormir à noite e, se não entrasse no conteiner, não tinha comida.

Modelo de zoológicos
O SeaWorld já apresentou projetos alternativos para reformular suas atrações. Mas até agora não abriu mão de manter os animais em cativeiro, de acordo com Caroline, apesar da pressão dos ativistas. Já propôs deixar mais parecido com um santuário marinho sem, no entanto, dar claras demonstrações de suas intenções, conforme ela ressalta.
No caso de zoológicos, para a especialista, também é necessário repensar o modelo. A ambientalista defende a transformação destes em santuários, com a preservação e reprodução dos animais, preparando-os para retornar ao ecossistema. Uma espécie de zoológico rotativo, cujos animais são observados por grupos específicos, com visitas monitoradas, sem o conceito de exposição para entretenimento.
— O ideal é que os animais não fossem expostos como objeto e como produto, porque, inclusive, o comportamento deles em zoológico não é aquele original. Na natureza eles não fazem o que fazem nos zoológicos. Não quero julgar, é um tema complexo, a relação humana com o animal é uma catarse, muitos acham que estão protegendo os bichos. No sentido de preservação de espécie esses locais têm importância, mas é preciso fazer uma reestruturação.
Caroline afirma que um novo conceito só vai ser implementado quando houver a certeza de que este modelo de negócio, adotado pelo SeaWorld, por exemplo, está superado.
Público, muitos destes estabelecimentos já perderam. Nos tempos mecanicistas da tecnologia, que dissemina informações, a "humanização" dos animais está fazendo as pessoas se colocarem mais no lugar dos bichos, adquirindo empatia em relação a eles - mesmo os de mares mais longínquos.
Questionam mais o seu sofrimento, as separações pelas quais são obrigados a passar, as alterações de rotina, as reproduções em ritmo diferente das naturais, o aprisionamento. Tal debate também é uma maneira de se humanizar. Até houve real preocupação com o que Takara sentiu após a perda da filha. Ela foi monitorada por um tempo no parque, porque sentiu. Empatia é sentimento que vale para tudo. E para todos. Se bicho não é gente, o ser humano também é um animal. E mãe é mãe, inclusive entre as baleias.



Fonte: R7 de 29 de julho de 2017.



Notas do Blog:
O conteiner que citam na matéria sobre onde Tilikum tinha que passar a noite, não era no SeaWorld, mas no Marineland of the Pacific, em Victoria, no Canadá, no início da década de 90.
E apenas um velho alerta/lembrete já feito diversas vezes aqui no blog: Tilikum não matou a treinadora "durante uma apresentação", mas após o encerramento do programa "Dine with Shamu" (que era uma apresentação exclusiva, em frente ao tanque em que ele era mantido, para um número seleto de convidados que faziam uma refeição no local (e que obviamente pagavam para estarem ali)) quando a maioria absoluta das pessoas já tinha saído.  Foram pouquíssimos visitantes que presenciaram o ataque.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

Orca resgatada 15 anos atrás dá à luz seu segundo filhote

A Orca Springer que foi resgatada em Puget Sound e devolvida ao lar, no Estreito de Johnstone, 15 anos atrás, deu à luz seu segundo filhote.
O Departamento de Pesca e Oceanos canadense divulgou que ela foi vista no mês passado com seu novo filhote na costa da Colúmbia Britânica. Seu primeiro filhote, chamado de Spirit, nasceu em 2013.
Conforme já contado em publicações passadas aqui do blog, a Springer foi encontrada órfã e doente na costa da cidade americana de Seattle, em 2002. Ela foi então resgatada, reabilitada e levada de catamarã até o extremo norte da Ilha de Vancouver, no Canadá, onde pode se reunir com sua família. Como descrita por Paul Spong, do OrcaLab, “a história da Springer é uma inspiração em diversos níveis, pois prova que uma Orca órfã, separada da família, pode ser reabilitada e devolvida a uma vida normal e produtiva ao lado de familiares e de sua comunidade”.

Foto: Lisa Spaven, Department of Fisheries and Oceans

De acordo com oficiais, ela é normalmente vista em áreas da costa da Colúmbia Britânica e ocasionalmente, durante o verão, no Estreito de Johnstone.
A notícia do nascimento de seu segundo filhote chegou poucos dias antes do aniversário de 15 anos de seu resgate (ocorrido em 12 de junho de 2002) que será celebrado em Telegraph Cove entre hoje e domingo (de 21 a 23 de julho).

Em 2012 contei a história da Springer e ela pode ser lida na seguinte postagem:
https://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2012/06/10-anos-da-reabilitacao-de-springer.html





quinta-feira, 20 de julho de 2017

Orca de parque russo fica presa durante show

Mais uma cena deprimente que somos obrigados a testemunhar sobre o sofrimento de uma vida em cativeiro. Num vídeo publicado no Instagram pela página “keiko_conservation”, Juliet, uma Orca mantida em cativeiro na Rússia, após subir na plataforma para mais um dos truques que precisa realizar para a plateia, é, por motivo desconhecido, impulsionada para longe da beirada por outra Orca e tenta desesperadamente retornar. Os treinadores nitidamente não sabem o que fazer. As imagens são de partir o coração, especialmente por considerarmos que o próprio peso da Orca fora da água deve ser extremamente doloroso. Em determinado momento ela gira por cima da própria nadadeira... Sem dúvida um esforço que jamais seria necessário para uma Orca na natureza. Lamentável e degradante, dois adjetivos que definem bem, infelizmente.



Não consegui carregar o vídeo aqui no blog, mas ele pode ser visto no seguinte link:
http://www.onegreenplanet.org/news/orca-struggling-after-being-beached-during-performance/