quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Orca encalha e é salva na Nova Zelândia

Uma força-tarefa que incluiu o exército, biólogos, veterinários, voluntários e especialistas do Orca Research Trust e do Whale-Rescue conseguiu salvar uma Orca macho de um encalhe na Nova Zelândia. A Orca, que provavelmente encalhou caçando raias em águas pouco profundas, foi encontrada na manhã de domingo (12 de novembro) na praia de Marfeels e a ajuda veio através da moradora local Anna McIntosh que a encontrou. Sem saber exatamente o que fazer, ela divulgou o caso pelo Facebook pedindo ajuda. Em pouco tempo uma equipe já estava formada para auxiliar no salvamento, incluindo equipes do Exército da Nova Zelândia, nos EUA, do Canadá e da Austrália que estavam em região próxima passando por treinamentos.
A equipe passou a noite ao lado da Orca garantindo sua hidratação e conforto para que tivesse condições de sobreviver até que cavassem um pequeno canal que permitisse seu deslocamento. Quando a maré subiu, a equipe a conduziu mar adentro. Após uma pequena pausa para descanso seguiu com firmeza. Por 48 horas a região foi monitorada para que se certificassem de que ela não encalharia novamente (normalmente sinal de que o animal está com problemas de saúde e dificilmente sobreviveria), o que não ocorreu. Portanto, o salvamento foi considerado um sucesso. Sabe-se apenas que um pod de Orcas estava a sua espera pois foram detectadas vocalizações próximas à praia do encalhe durante toda a noite em que ela permaneceu no local.




Em nota em sua página do Facebook, o Orca Research Trust agradeceu imensamente todos os envolvidos, detalhando que o salvamento não teria sido possível se não tivessem tido tanto auxílio.
No link abaixo e possível assistir ao vídeo do encalhe e do momento do salvamento:
http://www.newshub.co.nz/home/new-zealand/2017/11/volunteers-work-through-night-to-save-stranded-orca.html

As imagens são do Ross Wearing e do Project Jonah, uma entidade dedicada a proteção de baleias, golfinhos e focas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Orcas são perseguidas por causa de selfies

Alisa Schulman-Janiger, pesquisadora e integrante da American Cetacean Society, estava observando um pod de Orcas próximo à cidade de Huntington Beach, na Califórnia, EUA, na última sexta-feira, quando viu três pessoas de jet-ski determinadas a se aproximarem do pod. Ao invés de manterem a distância para não perturbarem os animais, conforme exigido por lei, Alisa assistiu às pessoas em disparada em direção ao pod emitindo um intenso ruído. “As Orcas estavam emergindo em volta dos Jet-skis e tanto as Orcas quanto as pessoas poderiam ter se ferido”.
O motivo para esse comportamento arriscado? Aparentemente o que queriam era tirar selfies. A pesquisadora relatou que em dois momentos os jet-skis quase colidiram com as Orcas, incluindo com um dos filhotes, e preocupada com sua segurança, ela pediu às pessoas que mantivessem a distância, mas não houve sucesso. “Nós gentilmente pedimos que se afastassem”, disse ela, “mas quinze minutos depois, fizeram novamente”. Pelo jeito, uma postagem na Internet parecia mais importante.
O incidente só chegou ao fim quando o pod mergulhou profundamente alterando seu curso numa visível tentativa de escapar. “As baleias se incomodaram e fugiram após terem mantido um curso previsível por horas”, e não foram vistas novamente.

Imagens divulgadas na página da pesquisadora no Facebook

Se as imagens obtidas pela Alisa servirem de prova, essas pessoas poderão pagar um preço alto pelo que fizeram. De acordo com as leis americanas, perturbar Orcas é ilegal e pode gerar multa de 11 mil dólares e até um ano de prisão. Ela contou já ter informado às autoridades e pede que fiquemos atentos, caso as fotos do grupo sejam publicadas na Internet.
Infelizmente, esse comportamento tornou-se cada vez mais comum na era das mídias sociais em que o desejo de obter a selfie perfeita e o maior número de curtidas ultrapassa qualquer limite. Vemos diariamente, no mundo todo, animais sendo dopados em zoológicos para que pessoas possam ser fotografadas com eles, já vimos até golfinho morrendo na mão de pessoas em busca de selfies e agora isso? Pessoas perseguindo Orcas na natureza pelo prazer e vaidade de uma foto ao lado delas? Aonde mais iremos chegar? O que mais precisa acontecer para compreenderem o mal que estão causando? Bom, basta-nos torcer para que essas pessoas sejam encontradas e punidas.



terça-feira, 26 de setembro de 2017

Orca à vista!

E mais uma vez recebemos a ilustre visita de Orcas em nosso litoral. Desta vez foi na praia do Recreio, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira. Eram pelo menos sete Orcas, sendo uma delas, um filhote. Acredita-se que seu principal alimento seja arraias e provavelmente estavam a procura delas. O vídeo abaixo mostra uma delas:



No último dia 11, outras três Orcas também foram vistas por banhistas, na Barra da Tijuca: um filhote, uma fêmea e um macho que, de acordo com o Professor José Lailson do Maqua, da UERJ, visita nosso litoral de 1997



Imagens captadas pelo Rede Globo nesta manhã

Não há quem não se encante em poder observar Orcas, especialmente aqui no Brasil, onde não aparecem sempre e onde não há pesquisa e acompanhamento específico da espécie. Portanto, fiquem de olho, cariocas, é possível que continuem aparacendo para alegria de todos!




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Novo estudo culpa tempestades solares por encalhe em massa de baleias

Li sobre a relação entre tempestadas solares e o encalhe e mortes de baleias a semana passada em sites do exterior e separei para traduzí-las e postar aqui no blog, mas acabei não tendo tempo hábil, portanto, como achei interessante e importante, vou aproveitar a reportagem da BBC divulgada pelo G1 e compartilhar com vocês:



Tempestades solares, responsáveis pelo fenômeno conhecido como aurora boreal, podem ter sido responsáveis pelo encalhe de 29 cachalotes (um tipo de baleia) em praias do Atlântico Norte no ano passado.
É o que diz um estudo de cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, para quem perturbações magnéticas podem ter interferido no senso de direção das baleias e desviado o grupo para águas rasas.
Todas as cachalotes morreram. Na autópsia, cientistas ficaram intrigados com o fato de que, em sua maioria, o organismo dos animais não exibia sinais de desnutrição ou doenças. E que os cetáceos eram jovens.
Por isso, muitas teorias sobre as possíveis causas do encalhe circularam pelo meio científico. Houve quem falasse em envenenamento ou mesmo em um acidente durante busca por alimento.
Cachalotes vivem em águas profundas e de temperatura quente para moderada. Muitos grupos vivem perto do arquipélago português de Açores. Quando atingem idade de 10 a 15 anos, porém, jovens machos migram para o norte, em direção à região polar, atraídos pela grande quantidade de lulas em águas mais frias.
A viagem normalmente passa pelas costas de países europeus. No entanto, em um espaço de apenas um mês, os animais apareceram em praias alemãs, holandesas, britânicas e francesas.
Questão magnética
Os cientistas da Universidade de Kiel dizem que a chave para entender o mistério é a possibilidade de as cachalotes navegarem com auxílio do campo magnético da Terra.
O campo não é uniforme e varia de intensidade em diferentes regiões, algo que as baleias aprenderam a "ler" da mesma forma que humanos veem contornos em mapas.
Mas a percepção pode ter sido alterada por grandes tempestades solares. Essas explosões de massa do sol emitem radiação e partículas que, ao atingir a atmosfera da Terra, produzem o fenômeno conhecido como aurora boreal.
Tempestades mais intensas podem até danificar satélites. E alguns cientistas dizem ter evidência de que a atividade solar pode ter impactos no senso de direção de pássaros e abelhas.
A equipe comandada por Klaus Vanselow estudou a conexão entre encalhes de baleias e duas grandes tempestades solares ocorridas em dezembro de 2015. Elas produziram espetáculos de luzes vistos não apenas em países mais ao norte, como a Noruega, mas até na Escócia.
No entanto, também causaram distúrbios temporários de até 460 km no campo magnético de uma área entre as Ilhas de Shetland, no extremo norte do Reino Unido, e a Noruega, afirma Vanselow.
Isso pode ter confundido as baleias transitando pela região. Até porque a equipe de cientistas de Kiel suspeita que cachalotes usem o campo magnético da costa da Noruega como orientação.
"A região da aurora boreal é a que mais tem distúrbios geomagnéticos na superfície da Terra", explica Vanselow.
"Cachalotes são animais imensos e podem nadar no oceano por dias na direção errada por causa desse tipo de efeito, para só depois corrigir o curso. Mas se isso ocorre na área entre a Noruega e a Escócia, elas podem ficar presas (em águas mais rasas)."
Inexperientes
O cientista alemão acredita que, por ter crescido perto dos Açores, uma área com mínimo impacto de tempestades solares, as cachalotes têm pouca experiência com o tipo de evento que ocorre nos polos.
Apesar de a teoria ser difícil de provar, outros cientistas dizem que ela é plausível.
"É difícil dizermos que foi a causa definitiva (para os encalhes), mas pode ter sido uma das razões", diz Abbo Van Neer, biólogo da Universidade da Alemanha que fez a autópsia das 16 baleias que apareceram na costa alemã.
A Nasa (agêncial espacial dos EUA), por exemplo, também tem feito estudos sobre o impacto de tempestades solares em cetáceos ao redor do mundo, e um grupo de cientistas ligados ao projeto publicará nas próximas semanas um estudo sobre encalhes na região de Cape Cod, na costa leste americana, e tempestades geomagnéticas.
"A teoria tem credibilidade, pois estamos falando de um potencial mecanismo que pode confundir os animais", afirma Antti Pulkkinen, chefe do projeto da Nasa.
"Mas não acho que o estudo prova tudo. Nossa análise sugere que não há um único fator que contribua para isso (os encalhes)".




Fonte: G1 de 5 de setembro de 2017.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Após 2 meses de estranha ausência Orcas Residentes do Sul reaparecem

Elas finalmente voltaram! Pela primeira vez em mais de dois meses, as Orcas Residentes do Sul retornaram às águas do chamado Salish Sea, regiões costeiras que incluem a porção sudoeste da província canadense da Colúmbia Britânica e a parte noroeste do estado de Washington dos Estados Unidos. E por que isso é tão relevante? Porque o normal é que elas passem um longo período todos os anos, que compreende de março a setembro, na região por conta da abundância do salmão (chinook, seu principal alimento) nesta época do ano. E isso estranhamente não ocorreu este ano. Essa famosa população de Orcas, citada frequentemente por aqui, foi nomeada Residente pelo Dr. Mike Bigg, pioneiro no estudo sobre Orcas na década de 1970, justamente por sua frequente ocorrência nesse habitat. Por isso, o fato chamou a atenção dos pesquisadores.
Durante esta ausência, por várias vezes pensaram que elas estavam de volta, mas acabavam sempre concluindo que se tratava de Orcas Transeuntes. Somente a semana passada, dia 04, Mark Malleston (da equipe do Center for Whale Research) confirmou que baleias avistadas a oeste do Farol de Sheringham eram realmente as Residentes!
A primeira delas a ser identificada foi a J19, que parece ter se tornado a líder do pod depois da morte da J2, a famosa Granny (já divulgado por aqui) no final de 2015. Aos poucos foram aparecendo os demais pods, o K, e em seguida o L, que estava um pouco mais para trás. Quando passaram em frente ao Center for Whale Research, que fica em Sam Juan Island, seus fotógrafos já haviam feito 3500 registros e conseguido identificar e documentar as 24 Orcas do pod J, as 18 do pod K e 22 do pod L. Faltaram apenas 13 Orcas do pod L, mas isso não gerou preocupação por pertencerem ao que podemos chamar “outra parte da família” liderada por outra matriarca.

Orca Residente L113 exibindo plena forma no último dia 4.
Imagem da Melisa Pinnow do Center for Whale Research

Todas as Orcas observadas naquele dia aparentaram boas condições de saúde, apenas relataram que as mais jovens poderiam ter crescido mais neste período, provavelmente por má nutrição por conta da notável escassez de salmão desses últimos anos.





quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Orcas tentam se comunicar com humanos na Noruega

Um dos principais argumentos do SeaWorld a favor da manutenção de Orcas em cativeiro é que somente através dele que nós humanos pudemos de fato conhecer as Orcas. Sim, houve um tempo em que elas eram tão temidas que serviam de alvo para tiros na Colúmbia Britânica, por exemplo. Compreendê-las e respeitá-las como golfinhos gigantes estava longe do alcance de qualquer um. Portanto, termos trazido Orcas para piscinas nos proporcionou a chance de observar quão inteligentes e dóceis podem ser. E muitos alegam que a observação delas nessas condições nos trouxe conhecimento sobre seu comportamento. Qualquer um que se pergunte sobre se é a favor ou não dos cativeiros possivelmente passará por este questionamento. No entanto, gostaria de aproveitar as incríveis imagens do vídeo abaixo para confirmar o que os mais sérios pesquisadores sobre o assunto afirmam: somente na natureza poderemos conhecê-las de verdade! O advento da mídia, da Internet, da globalização e da facilidade da captação e do compartilhamento de imagens nos proporcionou uma série de novas oportunidades de observá-las... e melhor, em seu habitat!
E por mais que eu tenha passado a maior parte da minha vida estudando sobre Orcas, nunca o tempo foi tão rico quanto este (com tanto material disponível) e eu nunca paro de me surpreender.
Pode ser que, assim como é comigo, as pessoas possam te olhar estranho quando você diz que seu animal favorito ou o animal que mais de encanta é a Orca; mas, convenhamos, há motivos de sobra para isso. O vídeo abaixo é mais uma prova de quão especiais são e quanto ainda há para descobrirmos sobre elas.
A equipe de passeios que efetuou os registros deram o nome ao vídeo de "Tentativa de comunicação entre Orcas e humanos", porque realmente é isso que parece. A forma como demonstram interesse, curiosidade, e como realmente parece que tentam se comunicar é de arrepiar. É como uma dança ao redor da mergulhadora. Eu nunca vi nada parecido, por isso escolhi mais este vídeo para compartilhar com vocês. Tenho certeza que vão, mais uma vez, se surpreenderem.







sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Filhote de jubarte encalhado em Búzios é salvo

O filhote da baleia jubarte, que estava encalhado desde quarta-feira (23), retornou ao mar na tarde desta quinta-feira (24) na Praia da Rasa, em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio. Segundo a Defesa Civil, o animal foi devolvido ao mar por volta das 16h com a mobilização de um grupo de pessoas que ajudou na retirada do mamífero da areia. Três retroescavadeiras foram utilizadas durante a ação.
Equipes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Corpo de Bombeiros, da Secretaria de Meio Ambiente e da Defesa Civil colaboraram no resgate. Segundo a Defesa Civil, cerca de 300 pessoas estavam no local acompanhando a retirada.
Durante toda a manhã, duas retroescavadeiras atuaram no salvamento. Dezenas de pessoas também utilizaram pás e enxadas para afastar a areia, além de baldes para hidratar o animal.
O filhote encalhou na tarde desta quarta-feira (23) e, segundo especialistas que estavam no local, o animal pode ter se perdido do grupo quando fazia a travessia, passando pelo litoral do Rio com destino à Antártida. A migração acontece nesta época.
O filhote apresentava dificuldades para respirar, segundo a avaliação de especialistas que estiveram no local, como o biólogo Marcelo Tardelli Rodrigues.
"O animal não está com nenhuma cicatriz, nenhuma marca que indique colisão com navio ou embarcações. Pode ser um animal que estava viajando com a mãe e se perdeu durante a forte ressaca das últimas duas semanas", afirmou o biólogo.
A agonia do filhote de aproximadamente 10,3 metros durou quase 24 horas.



Fonte: G1 de 24 de agosto de 2017.



domingo, 20 de agosto de 2017

Santuários de Orcas: Seria uma boa solução? NÃO


Seguindo a proposta do blog de apresentar argumentos a favor e contra a construção de santuários de baleias, segue matéria do jornal San Diego Union Tribune contra os santuários:



"Cercados oceânicos para baleias não é a solução ideal"


Por Mark Simmons
Publicado em novembro de 2015
San Diego Union Tribune


A transferência de animais que passaram a vida toda em instituições zoológicas credenciadas como o SeaWorld para cercados de redes no oceano se tornou uma discussão frequente dos grupos de direitos dos animais. Posso falar por experiência própria sobre esta questão: A realidade desse tipo de cercado para Orcas é bem diferente do que a fantasia idealizada pelos ativistas.
Para compreender por que esta é uma opção fraca para esses animais, vale entender a vida que eles têm no SeaWorld. Ao se oporem a zoológicos e aquários, os ativistas repetidamente deturpam os fatos com relação ao habitat, aos cuidados veterinários, ao progresso, à interação social e ao treinamento das Orcas do SeaWorld.
Eu passei muitos anos me dedicando a esses animais de uma forma que os ativistas nunca nem imaginam compreender.
Com relação ao comprometimento do parque com esses animais, eu concordo completamente com a Associação de Zoológicos e Aquários, que diz que eles “atendem e até excedem o mais alto padrão de cuidados e bem-estar animal do que qualquer organização zoológica do mundo”. 
Pesquisas recentemente revisitadas mostram que a família de Orcas do SeaWorld está vivendo tanto quanto algumas as populações selvagens estudadas. Mas o que é mais interessante é a tendência observada na expectativa de vida, sobrevivência e longevidade dos bebês do parque. Se a próxima década for como a última, as Orcas do SeaWorld estarão vivendo bem mais que as selvagens e isso jamais poderia ocorrer com animais estressados e sofridos.
Grupos de defesa dos animais também deturpam o que é a vida das Orcas nesses cercados no oceano. Eu fui membro da equipe que cuidou do Keiko, baleia famosa pelo filme “Free Willy”, antes de sua trágica, desnecessária e prematura morte em 2003. Ele passou a maior parte do tempo em que estava “livre” em um desses cercados na Islândia.
Eu estava presente (mais de uma vez) quando o cercado foi destruído por uma tempestade. Eu estava presente quando Keiko brincou com (e provavelmente engoliu) objetos estranhos retirados do fundo do mar. Eu estava presente, em mais de uma ocasião, em que ele ficou doente por se expor a patógenos que jamais teria tido contato num ambiente zoological.
Lamentavelmente, eu não estava presente (às vezes por longos períodos) quando o extremo mau tempo nos impediu de tratá-lo.
Orcas não podem ser comparadas a outras espécies às vezes transferidas a “santuários” tais como elefantes e chimpanzés. O ambiente marinho é certamente implacável e traiçoeiro, mas além dos desafios físicos óbvios, há indiscutivelmente mais perigos invisíveis para olhos inexperientes. Aposentadoria é um conceito humano que não existe na natureza e “santuário” é um termo falso frequentemente usado como alternativa para “cativeiro”. O contraste tem o objetivo de apelar para o emocional e nenhum animal se beneficia disso. É exatamente esta mentalidade (muito simplificada e sentimental) que levou à morte do Keiko.
Imagine o cão da sua família colocado numa área cercada num campo. Ele seria alimentado, mas teria pouco ou nenhum contato humano.  Isso é o que os ativistas querem para a família de Orcas do SeaWorld.
Alguns dos que mais defendem a criação de cercados oceânicos possuem apenas um exemplo em seu currículo: Keiko. O título do meu livro, “Killing Keiko” (sem nome em Português, mas que pode ser traduzido como “O Assassinato de Keiko”), é rude e é a verdade. Os ativistas de direitos dos animais mataram aquele animal. Se o Keiko Release Project (Projeto de Soltura de Keiko) estivesse sob jurisdição dos EUA, esses mesmos indivíduos seriam processados por conta das leis de proteção de mamíferos marinhos, e com razão.
Não há duvidas de que mamíferos marinhos, inclusive cetáceos, podem ser tratados com segurança em cercados nos oceanos. Existem organizações certificadas cujo comprometimento com o bem-estar animal deve jamais ser questionado e que tratam de seus animais dessa forma há muitos anos, dentre elas, a Marinha Americana. Mas para as Orcas do SeaWorld, cuja maioria nasceu em cativeiro, esses cercados são uma opção ineficaz.
Todos aqueles que se preocupam com Orcas deveriam focar sua atenção não nas que prosperam nos habitats do SeaWorld, mas na situação do meio marinho e nos animais como as Orcas Residentes do Sul do Noroeste do Pacífico que já se encontram ameaçadas. Qualquer outra coisa é um desserviço tanto para as baleias do SeaWorld quanto para as populações selvagens.




sábado, 19 de agosto de 2017

Santuários de Orcas: Seria uma boa solução? SIM

Seguindo a proposta do blog de apresentar argumentos a favor e contra a construção de santuários de baleias, segue reportagem da revista Hakai Magazine a favor dos santuários:



"Moradia de Luxo para Baleias Aposentadas"


Por Amorina Kingdon
Publicado em março de 2017
Hakai Magazine


Existem 24 Orcas vivendo em cativeiro na América do Norte e aproximadamente mais 30 em todo o mundo. Para turistas e crianças de olhos arregalados, elas são uma maravilha que talvez jamais poderiam ver de outra maneira. Mas para um público cada vez maior, a preocupação com o bem estar dessas baleias é tão importante que nem que fosse apenas uma em cativeiro, já seria muito. Em resposta a essa mudança de senso de moralidade, muitos aquários estão aos poucos encerrando programas de reprodução, apresentações ao público, além de estarem redesenhando os tanques que habitam. Mas ambientalistas dizem que isso não é o suficiente.
Sendo a soltura no oceano não considerada uma opção, pois mesmo algumas delas tendo sido capturadas da natureza, muitas nasceram em tanques e jamais viram uma única onda. Isto posto, o Whale Sanctuary Project (Projeto Santuário de Baleia) acredita ter uma solução melhor: Cercados oceânicos onde as baleias possam finalmente descansar, meio que um “meio caminho” entre o cativeiro e a liberdade.
“Sabemos que esses animais não se dão bem em tanques de concreto”, diz Lori Marino, Diretora Executiva do Whale Sanctuary Project ex-Diretora de Ciência do Nonhuman Rights Project (Projeto Direitos de Não Humanos).
A pesquisa sobre a expectativa de vida das baleias comparada à das selvagens é controversa, mas há outros dados preocupantes. A Lori aponta as causa da morte de muitas das Orcas cativas: Pneumonia e outras infecções crônicas causadas por sistema imunológico debilitado. Taku, uma Orca macho mantida pelo SeaWorld de San Antonio, morreu por ter contraído o vírus do oeste do Nilo devido à picada de insetos, provavelmente porque a pouca profundidade dos tanques o forçaram a passar parte do tempo na superfície, tornando-o mais vulnerável. E um estudo com golfinhos nariz de garrafa mostrou que tanques menores levam a níveis mais altos de hormônios do estresse. (Orcas são os maiores membros da família dos golfinhos.)
Portanto, ela deseja devolver as baleias ao oceano, pelo menos de certa forma...
A partir de uma pequena lista de possíveis locais nos estados estadunidenses de Washington e Maine, e nos estados canadenses da Columbia Britânica e Nova Escócia, ela e seus parceiros de projeto pretendem construir o primeiro santuário permanente de Orcas do mundo.  
O santuário seria numa enseada ou numa baía com área de pelo menos 600 metros, cercada de paredes de redes de malha de 15 cm de espessura. Esta é uma área semelhante a de um campo de rúgbi e significativamente maior que a maioria dos tanques de Orcas. O santuário teria instalações veterinárias, tratadores presentes diariamente, 24 horas por dia, e capacidade para se subdividir em caso de necessidade de quarentena para baleias com problemas de saúde ou mesmo para separar aquelas com problemas de convivência. Como elas não poderão caçar, receberão peixe congelado dos tratadores.
Por fim, a Lori calcula que a construção do santuário custaria aproximadamente 20 milhões de dólares; e acredita que os custos de manutenção poderão prover de doações e da venda de materiais educativos.
Este tipo de cercado não é uma ideia nova. A Marinha estadunidense mantém golfinhos, leões marinhos, Orcas e outros mamíferos marinhos dessa forma, no estado da California. O Aquário Nacional em Baltimore, no estado de Maryland, também planeja construir um cercado no mar para seus golfinhos até 2020. E antes do Keiko (Orca estrela de “Free Willy”) voltar à natureza, ele viveu num cercado temporário numa enseada na Islândia.
Charles Vinick, membro do conselho do Whale Sanctuary Project e Engenheiro Chefe do cercado do Keiko na Islândia, diz que muitos dos detalhes do proposto santuário dependerão do local que será escolhido para sua construção, bem como este também deve atender a alguns critérios: O cercado deverá ter pelo menos 15 metros de profundidade na maior parte de sua extensão, ser de água fria, de boa circulação e alto nível de qualidade da água, sem que haja qualquer tipo de escoamento por atividades humanas, como de madeireiras.
Charles reconhece que haverá desafios e eventos imprevisíveis, como, por exemplo, o tipo de interação de Orcas mantidas menos tempo com as populações selvagens. Na Islândia, era raro ver Orcas selvagens próximas ao cercado do Keiko. “Elas não vinham para dentro da baía”, contou ele. “Quando vinham, estavam apenas de passagem. Mantínhamos hifrofones na água, e não notávamos curiosidade com relação a ele.” Porém, as informações coletadas na Islândia não foram conclusivas. Por precaução, eles gostariam que este santuário fosse longe dos locais normalmente frequentados por Orcas. 
Outra preocupação seria sobre quais novos patógenos as baleias encontrariam no local ou mesmo introduzir ao novo ecossistema. “Não sabemos”, reconhece Lori. “É um risco”. Ela diz que é por isso que o local precisa de monitoramento e bom fluxo de maré.
Harald Yurk, ecologista comportamental e especialista em bioacústica do JASCO Applied Sciences que analisou as vocalizações do Keiko antes de sua soltura, gosta da ideia dos santuários, mas acha preocupante a transferência de Orcas de um ambiente familiar para outro, o que pode causar algum tipo de estresse.
Animais retirados de tanques podem reagir da mesma forma que humanos saindo da prisão após longas penas. “Elas podem, simplesmente... Assustar!”, diz ele. Baleias acostumadas a treinamentos, shows, e outras interações, por mais que não sejam atividades naturais, podem achar a mudança na rotina ou a falta de interação estressantes. Harald alega que os tratadores deverão acompanhar as Orcas para garantir que estejam se movimentando, explorando o novo espaço e emitindo vocalizações, que são sinais de contentamento.
Até agora, a reação dos aquários com relação ao santuário foi indiferente. Mark Simmons, ex-treinador do SeaWorld e autor do livro “Killing Keiko”, chamou o plano de “sentimental e muito simplificado” no jornal San Diego Tribune.
O Aquário de Vancouver ainda não se posicionou oficialmente.
A Lori acredita que o silêncio dos aquários é compreensível, mas espera ter um diálogo produtivo quando local para construção for definido, algo que espera que ocorra este ano. No final das contas, segundo ela, ambas as partes desejam o melhor para as baleias.
Ainda de acordo com ela, o público se preocupa com o bem estar das baleias de cativeiro desde que começaram as ser capturadas nas décadas de 1960-70, mas agora este sentimento é fundamentado com dados, “Faz tempo que não é mais questão de opinião”.


P.S.: Quer saber mais sobre o Projeto? Visite o site oficial:




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Santuários de Orcas: Seria uma boa solução?

Quem acompanha o blog sabe que sua posição é claramente anti-cativeiros. Sabe também que aqui já foram citadas diversas vezes a ideia de um santuário de baleias como opção para por um fim aos modelos antigos (e infelizmente ainda atuais) de manutenção de cetáceos em tanques de concreto. E coincidentemente há algumas semanas, ao pesquisar mais detalhes sobre os projetos para este tipo de santuário (que na verdade, seriam cercados nos oceanos, onde as Orcas ainda seriam mantidas (algumas por um período de reabilitação e outras para sempre) presas e tratadas por humanos, mas em seu ambiente natural), encontrei dois posicionamentos completamente divergentes. Um a favor e outro contra. Como considero que ambos apresentam argumentos válidos, ao invés de dar a minha interpretação, resolvi compartilhar ambos na íntegra com vocês. Dessa forma, cada um pode se posicionar como desejar.
Amanhã publicarei uma reportagem que traduzi da revista Hakai com a líder do The Whale Sanctuary Project (Projeto Santuário de Baleia), a Neurocientista e Especialista em comportamento e inteligência animal, Lori Marino. Ela não só defende a criação desses santuários, como lidera uma equipe que está desenvolvendo o projeto para construção dos mesmos.

Em seguida, publicarei uma matéria escrita por Mark Simmons, ex-treinador do SeaWorld, que fez parte do projeto de soltura da Orca Keiko (estrela do filme Free Willy) e que hoje, defende que esses santuários não são uma boa solução para Orcas de cativeiro.

Com isso, espero fornecer aos meus leitores, não as minhas impressões ou meu ponto de vista sobre o tema, mas apresentar argumentos de pessoas com experiência e conhecimento técnico, dessa forma, permitir que cada um reflita e tire suas próprias conclusões.

Espero que seja útil e aguardo feedbacks e comentários com as opiniões de cada um!



Abaixo, segue informações sobre cada um deles:

LORI MARINO
Lori Marino é Neurocientista e Especialista em comportamento e inteligência animal, anteriormente da faculdade da Universidade Emory. Ela também é fundadora e Diretora Executiva do Kimmela Center for Animal Advocacy, que se dedica exclusivamente a superar a lacuna entre a pesquisa acadêmica e bolsas de estudos e os esforços de defesa dos animais. É internacionalmente conhecida por seu trabalho sobre a evolução do cérebro e a inteligência de baleias e golfinhos em comparação aos primatas. Em 2001, foi co-autora de um estudo inovador que fornece a primeira prova conclusiva do auto-reconhecimento de golfinhos da espécie nariz-de-garrafa da própria imagem (em espelhos). Em seguida, decidiu não prosseguir com novas pesquisas com animais de cativeiro.
A Lori já publicou mais de 100 trabalhos empíricos e de revisão sobre a evolução e o comportamento do cérebro dos golfinhos e primatas, sobre relacionamentos de animais não-humanos, incluindo questões psicológicas e filosóficas sobre a exploração animal e, mais especificamente, críticas à terapia com golfinhos e outras questões que envolvem animais em cativeiro.

MARK SIMMONS
Mark Simmons é Vice Presidente Executivo do Embassy Ocean, baseado na Flórida, e autor do livro “Killing Keiko: The True Story of Free Willy’s Return to the Wild” (sem nome em Português, mas que pode ser traduzido como "O assassinato de Keiko: A verdadeira história do retorno de Free Willy à natureza"). Ele trabalhou no SeaWorld de Orlando e foi Diretor de Criação no projeto de Soltura do Keiko.  É membro do conselho do Marine Mammal Conservancy e Embassy Blue Institute.

Ambos são entrevistados e têm seus argumentos mostrados no documentário "Blackfish", portanto, figuras respeitadas no meio.