quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Foto de Orcas da Ilha Marion é premiada

Nico de Bruyn, Pesquisador sul-africano, recebeu um prêmio internacional de fotografia pela imagem de Orcas na Ilha Marion.
Cientistas do mundo todo enviaram fotos para a Competição do The Royal Society e o pesquisador do MIMMP (Marion Island Marine Mammal Programme – Programa de Mamíferos Marinhos da Ilha Marion) foi escolhido na categoria “Ecologia e Ciência Ambiental”.
Anexada à África do Sul em 1947, a Ilha Marion está situada no sul do Oceano Índico, no caminho da Corrente Circumpolar Antártica. A meio caminho entre a África do Sul e a Antártica, a ilha é a base terrestre de elefantes-marinhos-do-sul, de lobos-marinhos-do-peito-branco, de lobos-marinhos-antárticos e de Orcas. À princípio o trabalho de pesquisa realizado no local era focado apenas nos lobos e elefantes-marinhos, mas com a observação frequente de Orcas, elas passaram a ser catalogadas e acompanhadas por pesquisadores também. Um número surpreendente delas visita a Ilha Marion Island ao longo do ano, em especial durante a primavera e o verão do hemisfério sul (de outubro a dezembro) e em menor quantidade durante o outono austral (de março a maio). Cerca de 60 Orcas já estão catalogadas e metade delas retornam à ilha regularmente. Muitas delas também são observadas com frequência nas vizinhas Ilhas Crozet, localizadas a 950 km, sentido leste.
A população de Orcas da Ilha Marion parece muito saudável e gerou vários filhotes nos últimos cinco anos.
O trabalho contínuo de identificação com foto visa coletar dados para análises demográfica e de interação social para o futuro.
Confira a bela imagem premiada abaixo, além das Orcas, os pinguins a deixa ainda mais especial. 





sábado, 9 de dezembro de 2017

Arqueólogos “ressuscitaram” um dos mais antigos e enigmáticos geóglifos de Nazca

Uma equipa de arqueólogos peruanos, liderada por Johny Isla Cuadrado, responsável pelo Gabinete Descentralizado de Cultura da região Ica, conseguiu encontrar e recuperar um dos geóglifos mais “enigmáticos e antigos do circuito Palpa-Nazca”, de acordo com o jornal peruano La República.
O geóglifo em questão, que representa uma orca e mede cerca de 60 metros, foi fotografado pela primeira vez nos anos 60, na encosta de uma colina, e foi posteriormente dado como perdido.
A equipe arqueológica conseguiu agora encontrar de novo a impressionante figura que “corre um grande perigo” devido ao tráfico de terras nos terrenos onde foi construída. Durante a noite, aponta o jornal, a região tem sido saqueada por traficantes que se apropriam de terreno protegido, que consideram “lotes desocupados”.
A figura, que apenas pode ser vista a partir do cume de uma colina próxima, terá sido criada, segundo estimam os arqueólogos, por volta do ano de 200 D.C.


“Ao contrário das linhas de Nazca, o hieróglifo da orca está desenhado ao lado de uma colina, o que indica que se trata de um dos primeiros geóglifos da região“, explica Johny Isla Cuadrado.
Da mesma forma, Johny recorda que “há outros geóglifos deste tempo em Palpa, coisa que quase não acontece em Nazca, onde a maioria das linhas e geóglifos está em zonas planas”.
O enigmático geóglifo voltou à vida, juntando-se às restantes figuras misteriosas de Nazca, que ninguém até agora conseguiu descobrir quem criou – ou porque o fez.



Fonte: aeiou (Portugal) de 4 de dezembro de 2017.



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Gravidez de Morgan: Nota da autora

Quem acompanha o blog sabe bem quanto me envolvi com o caso da Orca Morgan. Desde o início tentei trazer informações sobre ela e sua trajetória, sendo o blog o primeiro veículo de comunicação no Brasil a contar sua história. Foram muitas leituras, muitas trocas de e-mails, muitas traduções...
Nos dias audiências passei informações em tempo real minuto a minuto do que estava acontecendo em tribunal, torci, compartilhei, chorei... E chorei a cada veredito desfavorável à sua liberdade, em especial na madrugada de sua transferência para o Loro Parque, pois sabia que naquele momento tudo estaria perdido... Ela logo estaria se apresentando em shows como mais uma escrava do entretenimento e seus óvulos não escapariam dessa indústria suja que estava extremamente necessitada de uma linhagem nova.
E como muitos de nós já esperavam foi isso mesmo que aconteceu... E, por mais frustrante que seja, não há o que fazermos.
Pelo jeito nem as questões judiciais preocupam o parque... pois ainda tiveram a falta de vergonha de alegar que consideram "um direito natural de cada animal se reproduzir e que isso não deve ser reprimido em nenhuma circunstância". Natural? Animais de diferentes espécies confinados se reproduzindo antes da maturidade devida é natural? Sem palavras...
Bom, agora é aguardar e ver como será esse desfecho... Pelo que dizem a gravidez já está no sexto mês, temos mais um ano pela frente para acompanhá-la. Vou torcer por apenas uma coisa: o melhor para ela e seu filhote, porque dos humanos, infelizmente não temos mais o que esperar.


Em 13 de dezembro de 2012 eu já havia me desculpado para a Morgan pelos humanos... Cinco anos depois faço isso novamente... Sinto muito, pequena Morgan, desculpe-nos por termos falhado mais uma vez!



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Como esperado, Morgan está prenhe

Os rumores começaram há dois dias, após o jornal espanhol on-line “El Dia” ter publicado informações que teriam vindo do Veterinário do Loro Parque, Jorge Soares, e hoje, infelizmente, o parque confirmou que a Orca Morgan está realmente prenhe.
Morgan, como amplamente já detalhado aqui no blog desde 2011, foi resgatada em 2010 após ter sido descoberta por pescadores, sozinha no Mar de Wadden, à noroeste da costa da Holanda. Muito desnutrida e desidratada foi levada para o Dolfinarium Harderwijk para ser tratada. Durante este período consideraram que ela não poderia ser solta e em tribunal decidiram que deveria ser enviada ao parque temático Loro Parque, em Tenerife, na Espanha. Desde então Morgan vive no parque onde sofre ataques constantes de duas Orcas residentes Kohana e Skyla, e assim como as demais Orcas cativas, já demonstra diversos comportamentos resultantes de estresse como bater com a cabeça em paredes e comportas do tanque (um vídeo perturbador que mostra Morgan batendo numa comporta já foi notícia aqui no blog, leia: https://v-pod-orcas.blogspot.com.br/2016/04/video-mostra-morgan-batendo-cabeca.html). Sabe-se que há tempos o parque se esforça em engravidá-la, inclusive a mantendo em tanques menores com machos sem chance de escapatória. Bom, as tentativas desesperadas do parque em engravidá-la valeram à pena...
Como a Morgan é de origem norueguesa, seu filhote obrigatoriamente será mais um híbrido de cativeiro. Dentre os machos há dois híbridos de Orcas islandesas com residentes (Keto e Adan, o segundo já sendo um filhote consanguíneo) e um híbrido islandês-transeunte Bigg's (Tekoa). Independentemente de quem for o "pai", reproduzir a Morgan é um ato que vai contra a ciência e esforços conservacionistas, afinal não há relevância no estudo de animais híbridos que jamais existiriam na natureza. Além de que o fato vai contra a permissão que foi concedida para que vivesse no Loro Parque de que sua manutenção seria apenas para fins científicos. Sem contar que Orcas em cativeiro não prosperam  e sua reprodução é um ato irresponsável contra o bem estar animal que apenas causa sofrimento.
"Para nós, esta notícia não é uma surpresa, há anos o Loro Parque tem tentando engravidar Morgan, e o fizeram independentemente da proibição para reprodução e de sua pouca idade, o que pode ser perigoso tanto para ela quanto para o filhote”, afirmou o Vice Presidente do Free Morgan Foundation.
Tal notícia chegou poucas semanas antes da próxima audiência sobre o caso Morgan, em 23 de janeiro de 2018. O advogado da Fundação Bondine Kloostra disse: "um dos motivos para termos entrado com recurso sobre seu caso é o fato da Morgan estar sendo exposta a Orcas macho nascidas em cativeiro enquanto sua reprodução é proibida ".
A Dra. Ingrid Visser, Presidente e Assessora Científico da Fundação declarou, "se a Morgan der à luz um filhote híbrido, isso não contribuiria em nada para a conservação da população de orcas selvagens, mas em compensação, um filhote com uma nova linhagem genética geraria muito lucro para o Loro Parque".




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Baleias azuis são canhotas

Estudar baleias azuis pode ser uma empreitada bastante difícil. Ainda que seu tamanho gigantesco facilite alguns tipos de observação, conseguir dados precisos sobre o comportamento desses gigantes das profundezas oceânicas é um trabalho hercúleo. Chegar perto delas foi o primeiro desafio dos pesquisadores, que publicaram, no periódico Current Biology, a conclusão de que, de certa forma, as baleias azuis são canhotas.
Ficar próximo de uma baleia azul não é tão difícil, se você sabe onde encontrá-las. Difícil é se aproximar o suficiente para fazer o que os cientistas precisavam: acoplar sensores altamente sensíveis na bichinhas, contendo acelerômetros. É a mesma tecnologia usada no seu celular e outras tecnologias para detectar movimentos – e contar passos ou calorias queimadas em um dia, por exemplo.

Depois de fazer uma visitinha às baleias em um santuário próximo à Califórnia, os pesquisadores conseguiram acoplar os sensores e monitorar 63 delas. Eles queriam entender como os movimentos delas eram associados aos seus hábitos alimentares. Ao estilo Free Willy (mesmo sendo de outra espécie) elas costumam fazer “acrobacias” no dia a dia. Não é para serem exibidas: essa é a estratégia de captura de krill, principal alimento desses animais.

O que os dados dos sensores revelaram é que a coreografia das baleias variava conforme a profundidade da água onde estavam. No fundo do mar, onde a concentração de krill era maior, elas faziam curvas curtas e bem simples. A maior parte do tempo, giravam para a direita, no sentido horário.

Já quando estavam a menos de 60 m de profundidade, a história era outra. Tinha menos krill por volume de água, então a operação precisava ser mais meticulosa. Quando a mais alta precisão era necessária, as baleias favoreciam o lado esquerdo. A imagem do artigo ilustra bem a diferença:

A figura superior mostra as acrobacias de baleias em águas mais rasas. A ilustração inferior mostra o mesmo comportamento em maiores profundidades. (Ari S. Friedlaender et al. Current Biology//Reprodução)

Os dados são consistentes com a manifestação de lateralização cerebral: quando o cérebro, para aumentar a eficiência de alguma atividade, passa a favorecer um dos lados do corpo. É por isso que escrevemos, tocamos instrumentos e batemos pênaltis com um lado preferencial. E também parece ser por isso que as baleias preferem o lado esquerdo para se alimentar com primazia.

Ainda não dá para cravar porque a lateralização varia conforme a profundidade da água nem qual a vantagem que cada um dos lados oferece para a rotina do bicho. Os pesquisadores acreditam que ela pode estar associada à relação entre olhos e cérebro.

O olho direito da baleia azul (assim como o seu) está ligado ao lado esquerdo do cérebro (e vice versa). Esse é o hemisfério que controla “movimentos ensaiados” – dos quais depende a caça da baleia, especialmente quando o alimento está mais escasso. Quando a baleia gira para a esquerda, ela consegue manter o olho direito o tempo inteiro na presa e ir controlando os detalhes da acrobacia. Essas minúcias garantem vantagem na caça em águas rasas. Nas águas profundas, esse esforço todo não seria necessário, porque tem comida para todo lado. Mas fica faltando entender porque, nesses casos, a baleia vê vantagem nos giros para direita. É uma vira-carcaça, mesmo.




Fonte: Superinteressante de 27 de novembro de 2017.




quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Orca encalha e é salva na Nova Zelândia

Uma força-tarefa que incluiu o exército, biólogos, veterinários, voluntários e especialistas do Orca Research Trust e do Whale-Rescue conseguiu salvar uma Orca macho de um encalhe na Nova Zelândia. A Orca, que provavelmente encalhou caçando raias em águas pouco profundas, foi encontrada na manhã de domingo (12 de novembro) na praia de Marfeels e a ajuda veio através da moradora local Anna McIntosh que a encontrou. Sem saber exatamente o que fazer, ela divulgou o caso pelo Facebook pedindo ajuda. Em pouco tempo uma equipe já estava formada para auxiliar no salvamento, incluindo equipes do Exército da Nova Zelândia, nos EUA, do Canadá e da Austrália que estavam em região próxima passando por treinamentos.
A equipe passou a noite ao lado da Orca garantindo sua hidratação e conforto para que tivesse condições de sobreviver até que cavassem um pequeno canal que permitisse seu deslocamento. Quando a maré subiu, a equipe a conduziu mar adentro. Após uma pequena pausa para descanso seguiu com firmeza. Por 48 horas a região foi monitorada para que se certificassem de que ela não encalharia novamente (normalmente sinal de que o animal está com problemas de saúde e dificilmente sobreviveria), o que não ocorreu. Portanto, o salvamento foi considerado um sucesso. Sabe-se apenas que um pod de Orcas estava a sua espera pois foram detectadas vocalizações próximas à praia do encalhe durante toda a noite em que ela permaneceu no local.




Em nota em sua página do Facebook, o Orca Research Trust agradeceu imensamente todos os envolvidos, detalhando que o salvamento não teria sido possível se não tivessem tido tanto auxílio.
No link abaixo e possível assistir ao vídeo do encalhe e do momento do salvamento:
http://www.newshub.co.nz/home/new-zealand/2017/11/volunteers-work-through-night-to-save-stranded-orca.html

As imagens são do Ross Wearing e do Project Jonah, uma entidade dedicada a proteção de baleias, golfinhos e focas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Orcas são perseguidas por causa de selfies

Alisa Schulman-Janiger, pesquisadora e integrante da American Cetacean Society, estava observando um pod de Orcas próximo à cidade de Huntington Beach, na Califórnia, EUA, na última sexta-feira, quando viu três pessoas de jet-ski determinadas a se aproximarem do pod. Ao invés de manterem a distância para não perturbarem os animais, conforme exigido por lei, Alisa assistiu às pessoas em disparada em direção ao pod emitindo um intenso ruído. “As Orcas estavam emergindo em volta dos Jet-skis e tanto as Orcas quanto as pessoas poderiam ter se ferido”.
O motivo para esse comportamento arriscado? Aparentemente o que queriam era tirar selfies. A pesquisadora relatou que em dois momentos os jet-skis quase colidiram com as Orcas, incluindo com um dos filhotes, e preocupada com sua segurança, ela pediu às pessoas que mantivessem a distância, mas não houve sucesso. “Nós gentilmente pedimos que se afastassem”, disse ela, “mas quinze minutos depois, fizeram novamente”. Pelo jeito, uma postagem na Internet parecia mais importante.
O incidente só chegou ao fim quando o pod mergulhou profundamente alterando seu curso numa visível tentativa de escapar. “As baleias se incomodaram e fugiram após terem mantido um curso previsível por horas”, e não foram vistas novamente.

Imagens divulgadas na página da pesquisadora no Facebook

Se as imagens obtidas pela Alisa servirem de prova, essas pessoas poderão pagar um preço alto pelo que fizeram. De acordo com as leis americanas, perturbar Orcas é ilegal e pode gerar multa de 11 mil dólares e até um ano de prisão. Ela contou já ter informado às autoridades e pede que fiquemos atentos, caso as fotos do grupo sejam publicadas na Internet.
Infelizmente, esse comportamento tornou-se cada vez mais comum na era das mídias sociais em que o desejo de obter a selfie perfeita e o maior número de curtidas ultrapassa qualquer limite. Vemos diariamente, no mundo todo, animais sendo dopados em zoológicos para que pessoas possam ser fotografadas com eles, já vimos até golfinho morrendo na mão de pessoas em busca de selfies e agora isso? Pessoas perseguindo Orcas na natureza pelo prazer e vaidade de uma foto ao lado delas? Aonde mais iremos chegar? O que mais precisa acontecer para compreenderem o mal que estão causando? Bom, basta-nos torcer para que essas pessoas sejam encontradas e punidas.



terça-feira, 26 de setembro de 2017

Orca à vista!

E mais uma vez recebemos a ilustre visita de Orcas em nosso litoral. Desta vez foi na praia do Recreio, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira. Eram pelo menos sete Orcas, sendo uma delas, um filhote. Acredita-se que seu principal alimento seja arraias e provavelmente estavam a procura delas. O vídeo abaixo mostra uma delas:



No último dia 11, outras três Orcas também foram vistas por banhistas, na Barra da Tijuca: um filhote, uma fêmea e um macho que, de acordo com o Professor José Lailson do Maqua, da UERJ, visita nosso litoral de 1997



Imagens captadas pelo Rede Globo nesta manhã

Não há quem não se encante em poder observar Orcas, especialmente aqui no Brasil, onde não aparecem sempre e onde não há pesquisa e acompanhamento específico da espécie. Portanto, fiquem de olho, cariocas, é possível que continuem aparacendo para alegria de todos!




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Novo estudo culpa tempestades solares por encalhe em massa de baleias

Li sobre a relação entre tempestadas solares e o encalhe e mortes de baleias a semana passada em sites do exterior e separei para traduzí-las e postar aqui no blog, mas acabei não tendo tempo hábil, portanto, como achei interessante e importante, vou aproveitar a reportagem da BBC divulgada pelo G1 e compartilhar com vocês:



Tempestades solares, responsáveis pelo fenômeno conhecido como aurora boreal, podem ter sido responsáveis pelo encalhe de 29 cachalotes (um tipo de baleia) em praias do Atlântico Norte no ano passado.
É o que diz um estudo de cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, para quem perturbações magnéticas podem ter interferido no senso de direção das baleias e desviado o grupo para águas rasas.
Todas as cachalotes morreram. Na autópsia, cientistas ficaram intrigados com o fato de que, em sua maioria, o organismo dos animais não exibia sinais de desnutrição ou doenças. E que os cetáceos eram jovens.
Por isso, muitas teorias sobre as possíveis causas do encalhe circularam pelo meio científico. Houve quem falasse em envenenamento ou mesmo em um acidente durante busca por alimento.
Cachalotes vivem em águas profundas e de temperatura quente para moderada. Muitos grupos vivem perto do arquipélago português de Açores. Quando atingem idade de 10 a 15 anos, porém, jovens machos migram para o norte, em direção à região polar, atraídos pela grande quantidade de lulas em águas mais frias.
A viagem normalmente passa pelas costas de países europeus. No entanto, em um espaço de apenas um mês, os animais apareceram em praias alemãs, holandesas, britânicas e francesas.
Questão magnética
Os cientistas da Universidade de Kiel dizem que a chave para entender o mistério é a possibilidade de as cachalotes navegarem com auxílio do campo magnético da Terra.
O campo não é uniforme e varia de intensidade em diferentes regiões, algo que as baleias aprenderam a "ler" da mesma forma que humanos veem contornos em mapas.
Mas a percepção pode ter sido alterada por grandes tempestades solares. Essas explosões de massa do sol emitem radiação e partículas que, ao atingir a atmosfera da Terra, produzem o fenômeno conhecido como aurora boreal.
Tempestades mais intensas podem até danificar satélites. E alguns cientistas dizem ter evidência de que a atividade solar pode ter impactos no senso de direção de pássaros e abelhas.
A equipe comandada por Klaus Vanselow estudou a conexão entre encalhes de baleias e duas grandes tempestades solares ocorridas em dezembro de 2015. Elas produziram espetáculos de luzes vistos não apenas em países mais ao norte, como a Noruega, mas até na Escócia.
No entanto, também causaram distúrbios temporários de até 460 km no campo magnético de uma área entre as Ilhas de Shetland, no extremo norte do Reino Unido, e a Noruega, afirma Vanselow.
Isso pode ter confundido as baleias transitando pela região. Até porque a equipe de cientistas de Kiel suspeita que cachalotes usem o campo magnético da costa da Noruega como orientação.
"A região da aurora boreal é a que mais tem distúrbios geomagnéticos na superfície da Terra", explica Vanselow.
"Cachalotes são animais imensos e podem nadar no oceano por dias na direção errada por causa desse tipo de efeito, para só depois corrigir o curso. Mas se isso ocorre na área entre a Noruega e a Escócia, elas podem ficar presas (em águas mais rasas)."
Inexperientes
O cientista alemão acredita que, por ter crescido perto dos Açores, uma área com mínimo impacto de tempestades solares, as cachalotes têm pouca experiência com o tipo de evento que ocorre nos polos.
Apesar de a teoria ser difícil de provar, outros cientistas dizem que ela é plausível.
"É difícil dizermos que foi a causa definitiva (para os encalhes), mas pode ter sido uma das razões", diz Abbo Van Neer, biólogo da Universidade da Alemanha que fez a autópsia das 16 baleias que apareceram na costa alemã.
A Nasa (agêncial espacial dos EUA), por exemplo, também tem feito estudos sobre o impacto de tempestades solares em cetáceos ao redor do mundo, e um grupo de cientistas ligados ao projeto publicará nas próximas semanas um estudo sobre encalhes na região de Cape Cod, na costa leste americana, e tempestades geomagnéticas.
"A teoria tem credibilidade, pois estamos falando de um potencial mecanismo que pode confundir os animais", afirma Antti Pulkkinen, chefe do projeto da Nasa.
"Mas não acho que o estudo prova tudo. Nossa análise sugere que não há um único fator que contribua para isso (os encalhes)".




Fonte: G1 de 5 de setembro de 2017.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Após 2 meses de estranha ausência Orcas Residentes do Sul reaparecem

Elas finalmente voltaram! Pela primeira vez em mais de dois meses, as Orcas Residentes do Sul retornaram às águas do chamado Salish Sea, regiões costeiras que incluem a porção sudoeste da província canadense da Colúmbia Britânica e a parte noroeste do estado de Washington dos Estados Unidos. E por que isso é tão relevante? Porque o normal é que elas passem um longo período todos os anos, que compreende de março a setembro, na região por conta da abundância do salmão (chinook, seu principal alimento) nesta época do ano. E isso estranhamente não ocorreu este ano. Essa famosa população de Orcas, citada frequentemente por aqui, foi nomeada Residente pelo Dr. Mike Bigg, pioneiro no estudo sobre Orcas na década de 1970, justamente por sua frequente ocorrência nesse habitat. Por isso, o fato chamou a atenção dos pesquisadores.
Durante esta ausência, por várias vezes pensaram que elas estavam de volta, mas acabavam sempre concluindo que se tratava de Orcas Transeuntes. Somente a semana passada, dia 04, Mark Malleston (da equipe do Center for Whale Research) confirmou que baleias avistadas a oeste do Farol de Sheringham eram realmente as Residentes!
A primeira delas a ser identificada foi a J19, que parece ter se tornado a líder do pod depois da morte da J2, a famosa Granny (já divulgado por aqui) no final de 2015. Aos poucos foram aparecendo os demais pods, o K, e em seguida o L, que estava um pouco mais para trás. Quando passaram em frente ao Center for Whale Research, que fica em Sam Juan Island, seus fotógrafos já haviam feito 3500 registros e conseguido identificar e documentar as 24 Orcas do pod J, as 18 do pod K e 22 do pod L. Faltaram apenas 13 Orcas do pod L, mas isso não gerou preocupação por pertencerem ao que podemos chamar “outra parte da família” liderada por outra matriarca.

Orca Residente L113 exibindo plena forma no último dia 4.
Imagem da Melisa Pinnow do Center for Whale Research

Todas as Orcas observadas naquele dia aparentaram boas condições de saúde, apenas relataram que as mais jovens poderiam ter crescido mais neste período, provavelmente por má nutrição por conta da notável escassez de salmão desses últimos anos.